Conjuntura do Mercado

Em abril de 2018, a arrecadação em prêmios e contribuições do mercado segurador regulado pela SUSEP foi de R$ 21.359,6 milhões, 3,1% abaixo da arrecadação de março. É uma taxa negativa, mas não deve preocupar, pois, se descontado o padrão sazonal existente nesse mês do ano de decréscimo da arrecadação de cerca de 5% sobre março, a variação “efetiva” (isto é, livre de influências sazonais) do mercado foi de +2%, um excelente resultado, portanto.

Isso fica mais visível quando comparamos os resultados de arrecadação de abril de 2018 com a de abril de 2017. Nos seguros de ramos elementares (exceto DPVAT), o crescimento foi de 14,5%. Nos planos de risco de seguros de pessoas, a expansão foi de 15,8%. E, mais importante ainda, nos aportes a planos de acumulação, o acréscimo foi de 24,5%, desse modo, invertendo o desempenho negativo que tiveram na virada de 2017 para 2018. Mesma inversão para positivo ocorreu com os aportes a planos de capitalização, que tiveram acréscimo de 18,9% em abril de 2018 sobre o mesmo mês de 2017.

Observando os grandes grupos de seguros verificamos expansões ainda mais fortes da receita: o carro-chefe dos ramos elementares (os seguros de automóveis) teve expansão de 17,3% em abril passado sobre abril de 2017; seguros patrimoniais, 28,6%, nessa mesma base de comparação; responsabilidade civil, 9,5%; seguros rurais, 40%; marítimos e aeronáuticos,19,6%; seguros de vida, 17,3%; prestamista, 20,5%; planos VGBL, 25,3% e planos PGBL, 15,6%.

O desempenho dos seguros de automóveis certamente tem relação com o grande aumento da produção e venda de veículos em 2018. Segundo o IBGE, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias teve crescimento de 19,9% no primeiro trimestre de 2018 contra igual período de 2017. Idem para as vendas nominais no varejo de veículos, motos, partes e peças que expandiram 18,2% nessa mesma base de comparação.

O comportamento do seguro prestamista indica recuperação da oferta de crédito na economia, estimulada pelos seguidos cortes na taxa Selic. Por outro lado, a estabilização dessa taxa nos atuais 6,5% favorece a recuperação das vendas de planos de acumulação como PGBL e VGBL. O aumento da comercialização do seguro rural está relacionado a redução prevista de 6,8% na safra de grãos e as consequentes incertezas sobre a renda agrícola bem como a subvenção de R$ 384 milhões desse seguro por parte do governo federal.

No geral, o mercado de seguros foi favorecido nesse início de ano pela trajetória positiva de crescimento da economia brasileira cujo PIB real, no 1º trimestre de 2018, cresceu 0,4%, frente ao 4º trimestre de 2017, na série com ajuste sazonal, e 1,2% no primeiro trimestre do ano frente a igual período de 2017. Entretanto, o clima de incerteza política e eleitoral no país, acoplado ao aumento do preço do dólar, devido a alta das taxas de juros nos Estados Unidos, lançam dúvidas sobre a aceleração do crescimento econômico prevista no início do ano. De fato, os analistas consultados pelo Banco Central têm revisado para baixo as projeções de acréscimo do PIB real em 2018, de 2,8% em fevereiro passado para atuais 2,2%.

No polo oposto, chamaram atenção em abril as quedas de arrecadação de prêmios de seguros de crédito e garantia, de seguros viagens e de garantia estendida. O primeiro caiu 3% sobre abril de 2017 e o segundo, 25%. Os seguros de crédito e garantias ressentem-se da tímida retomada dos investimentos, em particular, dos investimentos estatais. Os seguros de viagens, da citada alta do dólar, que encarece as viagens internacionais. A SUSEP registrou queda de 38,8% na arrecadação do seguro de garantia estendida. Porém, como a queda se deve a zeragem de operações nesse seguro de apenas uma seguradora, é possível que tenha havido erro de informação por parte da SUSEP.

No mercado como um todo exceto DPVAT a sinistralidade continuou em queda, situando-se em 42,7% no período janeiro-abril de 2018, 3,4 pontos de percentagem abaixo do verificado no mesmo período de 2017. A sinistralidade do grupo de seguros de ramos elementares foi de 50,0%, com queda de 2,5 pontos de percentagem na mesma base de comparação, e a do grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, de 27,1%, com aumento de 2,5 ponto percentual obre o mesmo período de 2017. O índice de despesas de comercialização aumentou 0,7 ponto de percentagem no mercado como um todo exceto DPVAT, sendo de 25% nesse mesmo período e dividindo-se em 21,9% em ramos elementares e 30,8% no grupo de planos de risco de coberturas de pessoas.

No primeiro quadrimestre de 2018, as despesas financeiras das seguradoras reguladas pela SUSEP cresceram 6,4% ante igual período de 2017 e o resultado financeiro das seguradoras caiu 8,1%. Estimulado pelo aumento de receita, o lucro líquido agregado dessas empresas cresceu 6,3% nessa base de comparação. Desse modo, a rentabilidade do patrimônio líquido agregado foi de 20,8%, excelente resultado numa conjuntura econômica difícil como a que passamos.