Conjuntura do Mercado

O desempenho do mercado de seguros regulado pela SUSEP foi positivo em agosto passado, ratificando o crescimento da atividade securitária em 2018, embora a taxas menores que as observadas no início do ano.

No grupo de seguros de danos e responsabilidades (ramos elementares), exceto DPVAT, os prêmios somaram R$ 6,4 bilhões, com decréscimo de 0,4% sobre julho. A arrecadação do principal ramo do grupo – seguros de automóveis – registrou aumento de 4,8% sobre julho, excelente resultado. Outro ramo com expansão digna de nota foi o de seguros rurais, cujos prêmios tiveram aumento de 16,5% nessa mesma base de comparação.

No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, foram arrecadados R$ 3,3 bilhões, o que representou acréscimo de 3,7% sobre o resultado do mês anterior. Os aportes aos planos de acumulação PGBL e VGBL tiveram novamente recuperação em agosto: a captação bruta somou R$ 9,3 bilhões, 15% acima do observado em julho. Idem para os prêmios do seguro DPVAT e os aportes aos títulos de capitalização que cresceram, respectivamente, 8% e 6,1%.

A arrecadação total na área da SUSEP somou, assim, R$ 21,5 bilhões, 7,3% superior à arrecadação do mês anterior. No acumulado do ano até agosto, tal variável foi de R$ 160,3 bilhões, com decréscimo de 0,1% sobre igual período do ano anterior. Sem contar o DPVAT, a taxa de variação foi positiva em 0,6%. Nessa mesma base de comparação, os diversos ramos apresentam resultados semelhantes aos observados em julho.

Examinando-se o movimento do mercado de seguros em prazo mais largo e em moeda de poder aquisitivo constante chamam atenção três fatos (ver gráfico):

  • O ritmo sistematicamente mais acentuado de crescimento dos prêmios de coberturas de risco de seguros de pessoas em comparação com os dos seguros de danos e responsabilidades: no acumulado de 12 meses findos em agosto passado, enquanto aqueles cresceram em termos reais 5,3% sobre o mesmo período findo em agosto de 2015, os prêmios dos seguros de danos e responsabilidades decresceram 2,3%.
  • A desaceleração do crescimento da arrecadação de ambos os grupos em 2018 até o momento: as taxas de crescimento reais dos prêmios nos 12 meses findos em abril de 2018 em comparação com o mesmo período de 2017 foram de 7% e 4,2%, respectivamente, para planos de riscos de coberturas despesas e ramos elementares, percentuais que caíram para 5,3% e 3,6% nos 12 meses findos em agosto passado frente ao mesmo período de 2017.
  • A desaceleração e queda dos aportes aos planos de acumulação verificadas desde o início de 2017: a taxa de variação real de tais aportes passou de 14% no acumulado em 12 meses findo em abril de 2017 para -8,8% no acumulado em 12 meses findo em agosto passado (frente a iguais períodos de 12 meses anteriores).

A razão da expansão diferencial recente dos prêmios de planos de risco de coberturas de pessoas em comparação com os seguros de danos e responsabilidades prende-se a fatores tanto de demanda quanto de oferta, como a maior conscientização das pessoas sobre a necessidade de proteção securitária contra os riscos de mortalidade e morbidade e o aproveitamento de vendas na extensa rede bancária por parte das seguradoras ligadas a bancos. Já a evolução problemática dos planos de acumulação, como das demais aplicações de longo prazo, relaciona-se à queda das taxas de juros e às incertezas quanto à situação da economia no médio e longo prazo em razão da instabilidade política.

No acumulado do ano até agosto de 2018 ante igual período de 2017 e no agregado das seguradoras, os sinistros ocorridos caíram 1,6% e o resultado financeiro, 14,3%. As despesas de comercialização (custos de aquisição) em seguros cresceram 5,1%, as despesas administrativas, 3%, e o resultado patrimonial, 30,9%. O lucro líquido dessas empresas aumentou 16,9% e a rentabilidade anualizada do patrimônio líquido agregado foi de 23,2% em janeiro-agosto de 2018, superior em 4,8% a do mesmo período do ano anterior. As provisões totais das seguradoras na área da SUSEP atingiram R$ 925,4 bilhões, 11% acima do verificado em agosto de 2017.