Conjuntura do Mercado

Em junho de 2018, em termos de grandes grupos, o desempenho do mercado de seguros regulado pela SUSEP pouco se alterou em comparação com maio. Permaneceram resultados positivos em planos de risco que contrastaram com negativos em planos de acumulação.

De fato, houve novamente em junho queda dos aportes aos planos de acumulação (PGBL e VGBL, principalmente) que somaram R$ 7,4 bilhões em junho, contra R$ 8,4 bilhões em maio (variação de -11,6%).

No grupo de seguros gerais (ramos elementares) exceto DPVAT, os prêmios alcançaram R$ 6,2 bilhões, com crescimento mais robusto (de 8,3%) sobre maio. No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, os prêmios foram de R$ 3,2 bilhões com forte desaceleração, mas ainda assim pequeno acréscimo (de 0,2%) sobre o mês anterior.

Os prêmios do seguro DPVAT continuaram em trajetória de baixa, conforme esperado, e os aportes a títulos de capitalização mostraram acréscimo de 2,2% sobre maio.

Tudo isso considerado, em junho passado, a arrecadação total na área da SUSEP somou R$ 19,3 bilhões, 2,6% inferior à arrecadação de maio.

Analisando período mais largo de modo a evitar a interpretações errôneas devidas a sazonalidades e a fatores aleatórios inespecíficos, fica evidente que os resultados negativos de crescimento do mercado são em grande medida resultantes da queda da captação dos planos de acumulação, cujas participações no total da arrecadação superam os 40%. Mesmo assim cabe assinalar que a captação líquida desses produtos (aportes menos resgates) continuou positiva, sendo de R$ 1,4 bilhão em junho e de R$ 21,8 bilhões no primeiro semestre.

De fato, comparando-se o resultado do primeiro semestre de 2018 contra mesmo período de 2017, no grupo de seguros de ramos elementares (exceto DPVAT) temos as seguintes taxas positivas de variação de prêmios em ramos diversos: automóvel: 7,5%; patrimonial: 7,5%; habitacional: 7,2%; transportes: 14,6%; crédito e garantia: 8,8%; garantia estendida: 10,4% e rural: 10,1%. Isto num período cuja inflação (IPCA) foi inferior a 4%, significando crescimento real. A destoar apenas os ramos de RC e de seguros marítimos e aeronáuticos, com variações respectivas de prêmios de 0,3% e -2%.

Fato similar se observa na arrecadação do grupo de planos de risco de coberturas de pessoas: vida: +9%; prestamista: +23,7% e acidentes pessoais: +4,6%. O seguro viagem teve redução de receita em função da desvalorização cambial, que encarece e desencoraja as viagens ao exterior. Os demais planos de risco – seguros dotais, educacionais etc. representando cerca de 15% do total – tiveram baixa expansão nominal dos prêmios de 1,2%, logo, queda real se descontada a inflação.

Segue-se que o maior desafio atual do mercado é a volta do crescimento da captação dos planos de acumulação. Esse fato, entretanto, se encontra dificultado pelas baixas taxas de juros vigentes no momento (para padrões brasileiros), pela frustração da retomada do crescimento econômico em 2018 e pelas incertezas políticas que, certamente, desestimulam aplicações que, como os referidos planos, para fazerem jus ao pleno benefício fiscal, exigem longo prazo de permanência. Assim, é possível que um cenário mais positivo para tais planos só ocorra a partir de 2019, quando se dissiparem as incertezas mencionadas acima, e, obviamente, dependente da política econômica dos vencedores na eleição de outubro.

Na área da SUSEP e exceto DPVAT a sinistralidade continuou em queda, ficando em 42,5% no período janeiro-junho de 2018, com redução absoluta de 4,78% sobre o verificado no mesmo período de 2017. A sinistralidade do grupo de seguros de ramos elementares caiu de 54,2% no primeiro semestre de 2017 para 52,6% no mesmo semestre de 2018. No grupo de planos de risco de coberturas de pessoas, houve decréscimo de 26,4% para 24,3% no mesmo período. O índice de despesas de comercialização do mercado como um todo exceto DPVAT foi de 24,4% no acumulado do ano até junho, com redução de 0,6% frente ao mesmo período de 2017, sendo em janeiro-junho de 2018 de 21,9% em ramos elementares e 29% no grupo de planos de risco de coberturas de pessoas. Isto posto, a margem bruta de lucro ampliou-se pelos dois lados, o que afetou positivamente a lucratividade das seguradoras, como se verá adiante.

Nos primeiros seis meses de 2018, as despesas administrativas das seguradoras reguladas pela SUSEP cresceram 4,6% ante igual período de 2017, o resultado financeiro caiu 8,4%, o resultado patrimonial cresceu 30,2%, e o lucro líquido das seguradoras, 22,6%. A rentabilidade do patrimônio líquido agregado atingiu 23,3% em janeiro-junho de 2017, um excelente resultado. O total de provisões das seguradoras atingiu em junho R$ 910 bilhões, 12,3% acima do verificado em junho de 2017.

Nó setor de saúde suplementar, os dados divulgados pela ANS se referem ao primeiro trimestre de 2018 e mostram receita de contraprestações de R$ 46,6 bilhões, com crescimento de 7,1% sobre o mesmo trimestre de 2017, mas decréscimo de 2,8% ante o quarto trimestre desse ano, indicando piora das condições de demanda dos planos de saúde. A sinistralidade foi de 79,7%, 0,3% abaixo do verificado em janeiro-março de 2017 e 1,7% abaixo do dado do último trimestre de 2017.