Conjuntura do Mercado

Os dados referentes ao desempenho do mercado de seguros regulado pela SUSEP em setembro passado continuaram sinalizando recuperação da atividade securitária em 2018.

Os prêmios de seguros e aportes a planos de previdência e títulos de capitalização totalizaram R$ 18,7 bilhões nesse mês com variação negativa de 13,5% ante o mês anterior. Entretanto, tal resultado não deve preocupar, pois decorre de o mês de setembro ter tido 19 dias úteis contra 23 dias úteis em agosto (17,4% a menos). Desse modo, fazendo-se a conta da variação da arrecadação média por dia útil, verifica-se uma taxa positiva de 4,7% em setembro sobre agosto.

As comparações em 12 meses, em que se dilui a questão dos dias úteis mensais, confirmam a continuação do crescimento da arrecadação do grupo de ramos elementares, exceto DPVAT, e do grupo de planos de risco de cobertura de pessoas: no primeiro caso, no acumulado do ano até setembro frente ao mesmo período do ano anterior, a receita de prêmios subiu 8,7%; no segundo caso, houve acréscimo de 9,5%. No acumulado de 12 meses frente aos 12 meses precedentes, as taxas desses grupamentos de seguros foram, respectivamente, de 8% e 9,2%.

Essas taxas de expansão indicam forte crescimento da arrecadação em termos reais, isto é, descontada a inflação do período. De fato, em 2018, a inflação em 12 meses medida pelo IPCA tem girado em torno dos 4%, portanto, bem abaixo das taxas de crescimento de seguros referidas acima.

O lado problemático do mercado continua sendo o desempenho dos produtos com característica mista – financeira e securitária – como são os casos dos planos de acumulação VGBL, PGBL etc e dos títulos de capitalização bem como, por decisão do CNSP, do seguro DPVAT. Os planos de acumulação, responsáveis por mais de 40% da receita do mercado, tiveram queda da captação bruta de 8,8% e 8,9% respectivamente no acumulado do ano até setembro e no acumulado de 12 meses contra iguais períodos de anos anteriores. Os títulos de capitalização tiveram expansões inferiores à inflação nessas bases de comparação – 2,6% e 1,9%, respectivamente. Esses produtos, que cresceram aceleradamente em anos anteriores, parecem se ressentir de três fatores: a) o desemprego elevado que reduz a capacidade de poupança da população; b) as baixas taxas de juros, que induzem os poupadores a procurarem aplicações mais arriscadas e c) a preocupação com as altas taxas de administração que reduzem a rentabilidade de certos planos de acumulação.

Desagregando-se mais os dados, e no acumulado do ano, chamam atenção as expansões de 15,1% dos prêmios de seguros de transportes, de 15,1% do seguro rural, de 9,8% dos seguros de crédito e garantia e de 8,9% dos seguros patrimoniais, este último o segundo componente mais importante do grupo de ramos elementares. Essas taxas são claramente indicadoras da retomada concomitante da atividade econômica. O principal componente do grupo – os seguros de automóveis – manteve trajetória de recuperação com a receita crescendo 6,6% no acumulado de 2018 frente a idêntico período de 2017. Note-se como principal fator causal o crescimento das vendas nominais no varejo de veículos, motos, partes e peças que o IBGE aferiu em cerca de 16% no mesmo período.

No que se refere aos planos de risco de seguros de pessoas, e nessa mesma base de comparação, continuaram notáveis as taxas de crescimento dos prêmios de seguro prestamista (+21,3%) e de seguros de vida (+8,5%). O caso do seguro prestamista é emblemático: de uma participação de apenas 3,7% no total da arrecadação de coberturas de risco de seguros de pessoas em 2003 passou para quase 30% agora em 2018, indicativo da continuação do processo de inserção de camadas crescentes da população no mercado de consumo de massas, apesar da recessão. E a expectativa é de que, retomado o crescimento da economia, esse seguro acelere sua expansão, pois se tornou uma prática consolidada nas instituições de crédito e de consumo de bens duráveis.

No acumulado do ano até setembro, a sinistralidade em ramos elementares foi de 50,1% com queda absoluta de 3,2% frente ao mesmo período de 2016. No grupo de coberturas de risco de seguros de pessoas, a sinistralidade foi de 25,6%, com queda absoluta 2% na mesma base de comparação. Em ramos elementares, o índice de despesas de comercialização foi de 21,5% no acumulado do ano até setembro, caindo 1% em termos absolutos ante o mesmo período de 2017. Em coberturas de risco de seguros de pessoas, tal índice foi de 29,4%, com redução de 0,1% em termos absolutos na mesma base de comparação.

No acumulado do ano até setembro de 2018 e no agregado das seguradoras, as despesas administrativas cresceram 3,3% ante igual período de 2017, o resultado financeiro caiu 15,2%, o resultado patrimonial aumentou 32% e o lucro líquido, 19,3%. A rentabilidade em 12 meses do patrimônio líquido agregado foi de 22,6%, superior aos 19,8% do mesmo período do ano anterior. Um excelente resultado.

No total da saúde suplementar (segmentos médico-hospitalar e odontológico), os últimos dados da ANS se referem a junho de 2018. Assim, no 1° semestre de 2018, a receita de contraprestações montou a R$ 96,9 bilhões, 10,3% acima do primeiro semestre de 2017. A sinistralidade caiu ligeiramente, de 82,6% no 1° semestre de 2017 para 81,7% no mesmo período de 2018.

Passadas as eleições, as atenções voltam-se para a política econômica e social que será implementada pelo novo governo. Até o momento, tudo indica que este terá como norte a responsabilidade fiscal e monetária, a retirada de gargalos regulamentares diversos que travam a economia e privatizações de estatais deficitárias. O futuro parece, portanto, promissor, mas grandes serão também os obstáculos políticos. De todo modo, como os números acima demonstram, o mercado segurador está em ótimas condições para aproveitar a retomada econômica que se espera à frente.