Contratar bem


10/06/2013  

Já mencionamos, em outras oportunidades, a importância do seguro viagem para os turistas, particularmente, os que estão indo ao exterior. De fato, acidentes acontecem e os custos podem ser altos. Uma queda, ferimento e consequente hospitalização na Europa, Estados Unidos e até mesmo em países menos desenvolvidos podem facilmente custar milhares de dólares e é bom estar protegidos contra isso.

Mas não basta apenas contratar o seguro. E preciso contratar bem, isto é, escolher coberturas e valores indenizáveis (importâncias seguradas) de acordo com os riscos assumidos e que, portanto, forneçam real proteção ao viajante se houver necessidade. Daí a importância de consultar especialistas – corretores, seguradoras e/ou agências de viagens – sobre o plano de coberturas mais adequado à viagem e perfil do consumidor.

O caso recente de brasileira que se acidentou devido à queda de balão na Turquia e se encontra hospitalizada é exemplo disso. Segundo noticias saídas na imprensa, a vítima passou por várias cirurgias e os médicos turcos liberaram o seu retorno ao Brasil, mas a viagem precisa ser feita em um avião-UTI.

O problema é que o seguro viagem contratado cobriria apenas €30 mil (cerca de US$ 64 mil) em despesas hospitalares e repatriação sanitária, muito abaixo dos US$ 100 mil que seriam necessários apenas para custear a viagem de volta no referido avião. Contratualmente, uma vez verificado que o sinistro está coberto, a seguradora tem o dever de pagar o capital segurado, o que significa que, quando o prejuízo ultrapassa esse valor, o restante deve ser pago pelo paciente. Felizmente, conforme noticiado, parece que o Itamaraty se dispôs a estudar o caso e, inclusive, fazer a remoção pelo governo. Além disso, a turista também contaria com a proteção do seguro de responsabilidade civil da empresa baloeira.

Mas fica a sensação de que o problema financeiro podia ser eliminado ou grandemente minorado pela contratação de coberturas de maior valor, mais adequadas aos riscos corridos. Mesmo por que os prêmios do seguro viagem são relativamente baixos e as opções são variadas, de acordo com o perfil do viajante e o destino da viagem, seja no Brasil ou no estrangeiro. Há produtos multirriscos para quem viaja sozinho com frequência, para a família e para executivos a trabalho. Entre as principais coberturas estão seguro de vida, assistências hospitalar / médica / farmacêutica e odontológica, bagagem extraviada ou danificada, atraso de vôo, repatriação sanitária etc.

Com relação a valores, cada seguradora oferece produtos com coberturas e preços diversificados.  Um exemplo é cobertura de assistência médica cuja importância segurada pode chegar a U$ 250 mil. No caso da repatriação sanitária, as coberturas mais comuns chegam a US$ 50 mil. Uma apólice contendo um cardápio de proteções dessa magnitude tem atualmente preço pouco acima de R$ 300,00 em dez dias de viagem.

O seguro viagem tem que oferecer, obrigatoriamente, durante o período contratado (a viagem), proteção para riscos de morte acidental e invalidez permanente total ou parcial por acidente. Outras coberturas podem ser incluídas, como despesas médicas, hospitalares, odontológicas, diárias por atraso de voo, perda ou roubo de bagagem e danos a malas, entre muitas outras.

As coberturas garantem proteção a danos e prejuízos ocorridos exclusivamente por acidentes. Isto significa a exclusão de riscos devidos a doenças preexistentes, congênitas ou crônicas, tratamento de doenças epidêmicas, pandêmicas ou endêmicas, despesas médicas e hospitalares decorrentes de atividades de alto risco, sendo o segurado sem habilitação para tanto, entre outros riscos. Em casos de crise aguda, que coloque em risco a vida do segurado, durante a viagem, as seguradoras geralmente autorizam atendimento, mas limitado a um percentual sobre o valor de reembolso contratado.

Impulsionado pelo real forte, pelo bom estado da economia e pela exigência de seguro em alguns países, o volume comercializado do seguro viagem atingiu R$ 82 milhões em 2012, mais de dez vezes o verificado em 2003, com uma taxa de crescimento médio anual de 30%. É possível que esse crescimento seja menor em 2013 pela desvalorização do real e o passo mais lento da economia, mas todos entendem que o seguro viagem veio para ficar na mente dos consumidores.