El Niño de volta?


15/10/2014  

O ano de 2014 vai chegando ao fim e é tempo de pensar em 2015. Na meteorologia, a expectativa é de um possível retorno do fenômeno conhecido como El Niño, isto é, o aumento acima do normal da temperatura da superfície do mar na região do Pacífico Equatorial. La Niña é o oposto, ou seja, temperaturas abaixo do normal nesta mesma região.

Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência federal norte-americana de meteorologia, há 2/3 de chance de ocorrência do El Niño no final de 2014 e inicio de 2015. No Pacífico, a temperatura da superfície marítima está atualmente 0,5 graus acima da média de longo prazo. Considera-se que o fenômeno se estabelece quando tal desvio se mantém durante um período de, pelo menos, sete meses, o que ainda não é o caso.

As consequências podem ser notáveis. O El Niño altera as condições do tempo não apenas nas Américas, mas em outras partes do mundo. Seus efeitos incluem: calor extremo, secas, chuvas intensas, consequentes inundações e deslizamentos etc.

Na América do Norte, o fenômeno está associado, tipicamente, a temperaturas mais altas na região noroeste, a chuvas mais intensas e enchentes no Golfo do México, do Texas a Flórida – e a secas no centro-leste (principalmente, no vale do Ohio).

Na América do Sul, os pescadores do Equador, da Colômbia e do norte do Peru podem experimentar tempos difíceis. Os cardumes estão sempre entre as primeiras vítimas de El Niño, pois este reduz o contato dos peixes com águas profundas ricas em nutrientes. No Brasil, o fenômeno meteorológico costuma estar associado, no sul e sudeste, a chuvas mais intensas durante o verão e, nas regiões norte e nordeste, a períodos de seca.

O estudo dos impactos ligados ao El Niño, apesar das incertezas que ainda existem nos modelos climáticos, fornece tempo precioso para que os gestores de risco, empresas, governos e o público em geral tomarem medidas preparatórias adequadas que permitem salvar vidas e proteger patrimônios.

É bom saber que o mercado de seguros pode ajudar o cidadão a enfrentar eventuais prejuízos causados por esse fenômeno.

Para proteção contra danos a prédios e seus conteúdos, o mercado conta com os seguros compreensivos (multirriscos) residencial e empresarial. A cobertura básica e obrigatória desses seguros garante indenizações apenas contra prejuízos originados por incêndio, queda de raio e explosões causadas por gás empregado na iluminação ou no uso interno. Tal cobertura exclui os riscos derivados de danos causados por eventos da natureza tais como inundações, terremotos, maremotos, alagamentos, enchentes por água de chuva etc.

Entretanto, o chefe de família e o empresário podem contratar coberturas adicionais e opcionais para alguns desses riscos excluídos. Esse é o caso da cobertura de alagamento e inundações que garante indenização para os danos causados por entrada de água no imóvel em consequência de trombas d’água, chuvas e aguaceiros, transbordamento de rios, lagoas, lagos e represas, ruptura de encanamentos, canalizações, adutoras e reservatórios (desde que não pertençam ao próprio imóvel segurado, nem ao edifício do qual o imóvel seja parte integrante) e insuficiência de esgotos, galerias pluviais e similares.

No caso de danos a automóveis, há também uma apólice compreensiva (ou multirrisco) que cobre ampla gama de riscos: raio, incêndio ou explosão; roubo ou furto total ou parcial; colisão, abalroamento, capotagem ou derrapagem; queda sobre o veículo de objeto externo (exemplo, árvores); ato danoso praticado por terceiros; alagamento, enchente e inundação inclusive de veículos guardados no subsolo; ressaca, vendaval, granizo e terremoto. O segurado pode contratar coberturas adicionais contra danos a terceiros que ele tenha causado (Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos) e contra danos causados aos passageiros do veículo segurado (Acidentes Pessoais de Passageiros).

Contudo, a apólice mais restrita, cobrindo apenas roubo do carro, furto e incêndio, não cobre prejuízos causados por enchentes.

No caso das secas, pragas etc. os pequenos produtores rurais contam com programas de apoio do governo para pagamento do custeio agrícola. O mais conhecido é o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) que funciona como um seguro agrícola de custeio.

Já o seguro rural privado é oferecido para o agronegócio em regiões economicamente viáveis com base em estudos técnicos de condições de solo e de clima e é direcionado para grandes e médios agricultores. As coberturas abrangem todas as etapas do processo produtivo, desde o plantio e armazenamento de insumos e mercadorias até o beneficiamento e processamento dos produtos. O seguro rural, por exemplo, protege o produtor contra perdas causadas por fenômenos adversos da natureza até o limite máximo de indenização contratado. A alta exposição a riscos financeiros associados ao clima, doenças e preços das commodities exige que este seguro tenha forte apoio do resseguro e do governo.

Em suma, tanto no caso de enchentes como de secas, o mercado de seguros tem produtos adequados para ajudar os agentes econômicos a mitigar os eventuais danos que possam afetar vidas e propriedades em função de fenômenos meteorológicos como o El Niño.