Fogo no Samba


17/08/2012  

Incêndio em apartamento de colecionador no Rio de Janeiro destrói obras de arte famosas

O recente incêndio na cobertura carioca do marchand e colecionador de arte Jean Boghici, no qual foram destruídos quadros famosos como “Samba”, de Di Cavalcanti, e “Floresta Tropical”, de Guinard, trouxe de novo à baila a questão do seguro residencial e, particularmente, do seguro de obras de arte.

Segundo noticiado pela imprensa, os prejuízos foram milionários, mitigados pelo fato de Boghici possuir seguro residencial bem como ter segurado suas obras de arte. A indenização pela perda do “Samba”, por exemplo, montaria a R$ 50 milhões. A proteção securitária era o esperado de alguém que possui, conforme noticiado, um dos maiores acervos artísticos do Rio de Janeiro. Mas o que dizer dos que possuem acervos menos valiosos? E os que não são colecionadores, mas ainda assim tem objetos de difícil reposição em suas residências? Eles tem seguro?

Com exceção do automóvel, os brasileiros, em geral, só lamentam a falta dos seguros de bens depois que ocorrem os sinistros. Segundo Marcelo Goldman, diretor da seguradora Tokio Marine (citado no JC online), no Brasil, apenas 10% das residências estão cobertas pelo seguro residencial ao passo que em países como Estados Unidos, Inglaterra, França e Chile, esse percentual se eleva a mais de 80%.

Aqui, a desinformação é um fato: poucos sabem que o seguro residencial é barato (custa, em média, apenas 0,2% do valor do imóvel) e muitos, erroneamente, pensam que os bens particulares (conteúdo) estão cobertos pelo seguro obrigatório de condomínios. De fato, esse seguro cobre a estrutura física do imóvel (paredes, tubulações, janelas etc), mas não os bens particulares que estão dentro do imóvel. O condômino que quiser proteger tal patrimônio precisa contratar cobertura respectiva à parte.

O seguro multirrisco de obras de arte é um tipo de apólice residencial que oferece coberturas completas, incluindo as referidas obras de arte. A cobertura básica inclui roubo, furto qualificado, alagamento, terremoto, maremoto, vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo, queda de aeronaves, impacto de veículos terrestres, desmoronamento, tumultos, motins e outros riscos semelhantes. Abrange ainda proteção contra atos de má-fé ou dolosos praticados por outras pessoas, incêndio, raio e explosão de qualquer natureza e suas consequências.

O critério básico para definição do custo (prêmio) do seguro de uma obra de arte é, como em qualquer outro seguro, o risco de roubos e danos. Enquanto o prêmio de um seguro de carro pode custar 5% do valor do veículo, o percentual médio relativo a obras de arte cai para menos de 1%. O custo é diferenciado de acordo com os locais em que as obras se encontram (residências, bancos, empresas, museus, fundações, oficinas de restauração, etc.). O risco de transporte também pode ser coberto, com pagamento de prêmio adicional. A cobertura pode ser agregada ao seguro para exposições e garante proteção desde o momento em que a obra é retirada do seu local de origem, passando pelo período de exibição, até o seu retorno.

A contratação da apólice multirrisco é antecedida de avaliação feita com assessoria de especialistas em arte que devem catalogar, fotografar e atestar a autenticidade das peças – por meio de consultas a outros especialistas, apresentação de nota fiscal ou uma avaliação formal. Após a visita ao local do acervo, a seguradora pode fazer sugestões a respeito de manutenção e acomodação das peças tendo em vista melhorar a segurança do ambiente. O proprietário do acervo pode não cumprir determinada sugestão, mas isto provavelmente aumentará o custo do seguro. Ele também pode optar por incluir uma franquia na apólice.

O valor da importância segurada é de responsabilidade do cliente. Vale lembrar que, em caso de sinistro, a indenização é sempre limitada ao valor de mercado que puder ser atribuído por peritos e marchands contratados pelas seguradoras.