O risco das enchentes  


02/12/2011  

Com a proximidade das chuvas de verão volta à pauta a importância do seguro para automóveis em casos de enchentes

Os institutos de meteorologia já avisaram: o verão 2011/2012 vai trazer muitas tempestades em diversos estados brasileiros. Nos últimos anos, milhões de Reais e milhares de vidas humanas foram perdidas por causa desses fenômenos, que muitas vezes pegam a população de surpresa.

Basta uma chuva mais forte para os proprietários de automóveis começarem a ficar preocupados com as enchentes e suas consequências sobre os veículos. Isso ocorre, principalmente, nas grandes cidades onde o enorme volume lixo jogado nos rios e bueiros, entre outros problemas, faz com que as águas pluviais não tenham por onde escoar. Os veículos atingidos por enchentes, com a água subindo até a altura do painel, geralmente, sofrem perda total, pois a troca ou reparo dos componentes eletrônicos facilmente chega a 70% do valor do bem.

E como o seguro pode ajudar o consumidor a se prevenir contra esse e outros danos causados pelas enchentes? Segundo o professor de Ciências Atuariais da Universidade Federal Fluminense, Antonio Fernando Navarro, os seguros de automóveis são elaborados para oferecer cobertura contra danos de causas externas. “Um deslizamento de uma encosta que atinge um automóvel estacionado na rua, a queda de um galho de árvore provocada por fortes ventos ou a inundação de uma garagem ou de uma rua atingindo os veículos são todos danos de causa externa, e, portanto, a menos que estejam explicitamente excluídos da apólice, passam a constituir riscos cobertos”, explica, ressaltando que o contrato somente pode restringir as coberturas quando isso ficar claro para o segurado, ou quando ele próprio solicita as restrições de coberturas para que haja redução nos custos finais.

As exclusões às quais ele se refere são a falta de cobertura por não haver amparo técnico, legal ou pecuniário. Na verdade, tudo pode ser segurado ou vir a ser coberto por uma apólice de seguros. “Basta apenas que os custos com o pagamento do prêmio sejam ajustados aos riscos”, afirma, lembrando assim da importância dos técnicos de seguro.

De fato, a apólice compreensiva (ou multirrisco) do seguro de automóveis cobre ampla gama de riscos: raio, incêndio ou explosão; roubo ou furto total ou parcial; colisão, abalroamento, capotagem ou derrapagem; queda sobre o veículo de objeto externo (exemplo, árvores); ato danoso praticado por terceiros; alagamento, enchente e inundação inclusive de veículos guardados no subsolo; ressaca, vendaval, granizo e terremoto. Porém, o segurado que contrata apenas a apólice de roubo, furto e incêndio, que abrange apenas os riscos de raio, incêndio, explosão e roubo ou furto total, não está coberto contra prejuízos nos veículos causados por enchentes.

O professor lembra que o consumidor deve estar atento na hora da contratação do seguro, pois diversas coberturas importantes, como contra a quebra acidental do para-brisa, por exemplo, devem ser solicitadas à parte e demandam custos adicionais. “O segurado deve ler muito atentamente a proposta, para conhecer as coberturas que estará contratando. Atualmente, os segurados de algumas companhias só tomam ciência do que contrataram depois de pagarem a primeira parcela, com o envio das condições gerais (o manual do segurado) pela Internet. Isso é um risco e pode ferir princípios legais, na medida em que ele pode alegar desconhecimento da falta de determinada cobertura por não haver assinado nada contra, ou não ter lido ou recebido a apólice eletrônica”, conta.

Tome cuidado

Chove muito e você está preso no trânsito ou dirigindo por uma rua onde percebe que o nível da água sobe rapidamente. Não há uma rota de fuga rápida disponível. O que fazer? Antes de qualquer coisa, mantenha a calma, pois nestes casos, uma decisão tomada em minutos pode fazer toda a diferença.

– Ao notar uma forte chuva se aproximando, evite transitar por vias próximas a rios ou que já são áreas tradicionalmente suscetíveis a cheias

– Engate a primeira marcha ao passar pela área alagada e só mude depois que a água baixar para evitar a entrada de água pelo escapamento no momento do refluxo dos gases

– Se perceber que o escapamento está submerso, fazendo bolhas, não acelere

– Se tiver que parar o carro, mantenha o pé na embreagem, deixe no ponto morto e tente manter o veículo acelerado

– Não ligue o carro após ser atingido pela água, pois ela pode causar graves danos ao motor e o segurado pode perder o direito à indenização por ter agravado o risco

Se a situação for incontrolável e a água atingir mais da metade do carro, não tente salvá-lo. Nesse caso, o melhor é abandonar o “navio” e preservar a sua vida. Abra os vidros e saia imediatamente. Assim o veículo ficará pesado e não será levado pela correnteza das águas. Quando a chuva passar será mais fácil localizá-lo e chamar o reboque.