O seguro em 2012


09/01/2012  

Especialistas comentam as perspectivas para o mercado de seguros em 2012

“Creio que o setor de seguros continuará crescendo em 2012. Entre janeiro e julho de 2011, o mercado brasileiro cresceu em torno de 18% sobre o mesmo período de 2010”, afirma Lucio Marques, Diretor Comercial da Previsul. Ele complementa: “com a manutenção do aumento de emprego e da própria renda do brasileiro, o que deve motivar e estimular ainda mais o consumo de bens, diversos seguros, com destaque nesse ponto para o prestamista, devem ver suas vendas crescendo”, afirma.

O consultor Francisco Galiza, da Rating de Seguros, também é otimista quanto ao bom momento econômico brasileiro, mas adverte que a crise mundial pode atrapalhar os números do país. “A economia tem mantido, apesar dos problemas externos, um crescimento na faixa dos 3%, o que não é ideal, mas razoável. Se não fosse a crise, poderíamos alcançar um patamar de 6%, aproximadamente. Isso tudo influencia fatores como renda, emprego, consumo e, consequentemente, aquisição de seguros”, explica.

Microsseguro

Uma das grandes apostas do setor para este ano é o microsseguro, cuja regulamentação começou a ser desenhada em 2008 e foi terminada agora em fins de 2011. “Nesse ano, o microsseguro será lançado no mercado, podendo alcançar mais de 100 milhões de pessoas. Será uma grande mudança na cultura de consumo de seguros com a inclusão das classes C e D. Com renda diária de até U$ 4, segundo o Banco Mundial, essa população tinha pouquíssimo ou nenhum contato com os produtos do setor”, comenta Lucio.

De acordo com a regulamentação, a venda do microsseguro poderá ser realizada por meios remotos, tais como celulares e Internet, e, em vez de apólices, serão emitidos bilhetes, trazendo as informações mais relevantes sobre o produto adquirido. Além disso, as seguradoras poderão firmar convênios com “correspondentes de microsseguro”, pessoas jurídicas que poderão recolher e repassar prêmios e promover quaisquer atos necessários à operacionalização de microsseguro, mas não poderão ter a venda de seguro como atividade principal. Esses correspondentes poderão ser tanto associações comunitárias quanto redes de varejo.

Aliás, o início da comercialização do microsseguro coincide com a publicação no Diário Oficial da União, no início de janeiro, de carta-circular do Banco Central que regulamenta as normas sobre o direcionamento obrigatório de 2% dos depósitos à vista para operações de microcrédito. A medida foi lançada pela presidente Dilma Rousseff em agosto do ano passado para fomentar a inclusão financeira da população de menor renda.

Além do microsseguro, Francisco Galiza diz que 2012 será o “ano dos produtos”. “Nos últimos dois anos, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) focou seu trabalho na solvência do mercado, até mesmo por causa da crise econômica mundial, que começou em 2008. Atualmente temos um cenário com empresas bastante saudáveis e meios de controle e fiscalização bem desenvolvidos. Com esse clima mais tranqüilo, os atores do mercado podem começar a se dedicar a novas iniciativas e a novos produtos”, opina.

Isso pode fazer com que o Brasil avance em termos de sofisticação de mercado. “A crise mundial certamente fará com que a indústria de seguros em países como EUA e Europa tenha um crescimento bem menos acelerado em 2011 e 2012, então nesse período o Brasil pode até se aproximar mais deles, embora ainda esteja defasado”, diz.

Copa, Olimpíadas e riscos da natureza

A proximidade dos dois maiores eventos esportivos que o país irá receber, em 2014 e 2016, – a Copa do Mundo e as Olimpíadas, respectivamente – também é responsável por uma boa perspectiva para o mercado. É o que diz Paulo dos Santos, ex-superintendente da SUSEP e Assessor da Diretoria de Ensino e Pesquisa da Escola Superior Nacional de Seguros. “A continuação do processo de obras em diversas cidades brasileiras vai alavancar os seguros de responsabilidade civil e garantia, principalmente”, afirma.

Especialistas do mercado estimam que os jogos possam gerar até R$ 3 bilhões em novos prêmios de seguros nos próximos três anos envolvendo garantia de contratos, coberturas de operações, RC, conservação, patrimoniais (obras), pessoas (convidados e atletas), entre outras.

De fato, com a tecnologia e a velocidade da informação nos dias de hoje, cada vez mais a sociedade percebe a importância do seguro, o que faz com que se torne natural o aumento da demanda e o crescimento do setor. Até mesmo as catástrofes naturais observadas desde o começo do ano, como as enchentes no Sudeste e a seca, no Sul do país, podem influenciar o setor. “Esses eventos têm mostrado cada vez mais a necessidade de se consumir seguros de bens como automóvel, desmoronamento, alagamento e outros, e isso em meio a variadas classes sociais”, alerta Lucio Marques.