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Mercado de seguros regulados pela SUSEP: desempenho em jan./dez. de 2014

Faturamento e desempenho

201620152014 2013 2012

Arrecadação das seguradoras (área da Susep):

Os dados divulgados pela SUSEP mostram que, em janeiro/dezembro de 2014, o faturamento do mercado regulado pela autarquia atingiu quase R$ 194 bilhões, o que representou aumento nominal de 9,2% sobre o volume no mesmo período de 2013. Esse percentual se compara desfavoravelmente com os 13,4% de acréscimo da mesma variável em jan./dez. de 2013 sobre jan./dez. de 2012.

Como a inflação no período com base no IPCA foi de 6,4%, infere-se que houve aumento real da receita de 2,8%.

Como porcentagem do PIB, a arrecadação dos produtos regulados pela SUSEP foi de 3,8% em jan./dez. de 2014, com aumento de 0,1 ponto percentual sobre o dado correlato de 2013.

O faturamento dos seguros de pessoas mostrou, em jan./dez. de 2014, alta de 11,6% sobre jan./dez. de 2013. Tal percentual mostrou-se acima do verificado em jan./dez. de 2013 sobre jan./dez. de 2012, quando a alta foi de 7,9%. Vale destacar a recuperação das contribuições do VGBL individual no período, que subiram 14,9% em jan./dez. de 2014 sobre igual período de 2013. No início de 2014, as taxas de variação dessas contribuições chegaram a ser negativas.

Os prêmios de seguros de vida individual, vida coletivo e prestamista tiveram variações de 16,7%, 0,4% e 12,4%, nessa ordem. Apesar do bom desempenho do seguro de vida individual, a taxa representa desaceleração, tendo-se em conta que, no mesmo período de 2013, a variação da receita correspondente foi de +23,2% sobre 2012. As contribuições a planos tradicionais exibiram alta de 3,5% no período. Assim, os produtos de risco do ramo vida tiveram alta da receita de apenas 6,8% em jan./dez. de 2014, frente a jan./dez. de 2013. A alta nos produtos de acumulação foi de 13,2%. Extraindo-se o efeito inflacionário, observa-se que a arrecadação dos seguros de pessoas/ produtos de risco permaneceu quase estável em relação a 2014 (+0,4%), enquanto a de seguros de pessoas/ produtos de acumulação cresceu 6,8%, em termos reais.

A arrecadação de prêmios de seguros gerais cresceu 6,8% em jan./dez. de 2014 sobre jan./dez. de 2013, expansão bem abaixo daquela verificada em jan./dez. de 2013 contra jan./dez. de 2012: esta foi de 19,3%, e pouco acima da inflação anual de 6,4%, refletindo o baixo desempenho da economia.

Nesse grupo, o faturamento do seguro de automóveis cresceu 6,9% sobre jan./dez. de 2013, percentual que se compara desfavoravelmente aos 18,7% em jan./dez. de 2013 sobre jan./dez. de 2012. O faturamento do seguro patrimonial também mostrou aceleração, com crescimento de 7,1% em jan./dez. de 2014, frente a jan./dez. de 2013.

A receita das empresas de capitalização manteve desempenho nominal positivo, aumentando 4,3% em jan./dez. de 2014 em relação a jan./dez. de 2013. Porém, esse dado está bem abaixo dos 26,5% obtidos em jan./dez. de 2013 sobre jan./dez. de 2012, exibindo perda relativa (frente à inflação de 6,4%).

Os dados atestam o impacto desfavorável da desaceleração do PIB e do aumento da inflação sobre o mercado de seguros nacional. É importante mencionar que o mercado, como um todo, ainda assim conseguiu manter taxa de expansão real positiva (acima da inflação) de sua receita total.

 

 

 

Saúde Suplementar (ANS):

As receitas de contraprestações das operadoras médico-hospitalares foram de R$ 93 bilhões no terceiro trimestre de 2014, o que representa 16,0% a mais em relação à receita do terceiro trimestre de 2013, quando a mesma atingiu R$ 80,2 bilhões.

As despesas assistenciais avançaram 16,0%, ao passarem de R$ 67,4 bilhões para R$ 78,2 bilhões. Com isso, a sinistralidade das operadoras de saúde manteve-se no mesmo patamar de 84,0% no período. 

 

 

 

Sinistralidade e despesas de comercialização dos seguros privados regulados pela SUSEP:

 

A sinistralidade do mercado de seguros subiu fortemente em 2014, se comparada a 2013.

No grupo de seguros de pessoas, exceto VGBL, a variável passou de 30,8%, em jan./dez. de 2013, para 31,8%, em jan./dez. de 2014, portanto, com alta de 1,0 ponto percentual. O índice de despesas de comercialização (IDC), exceto VGBL, teve um acréscimo de 1,4 ponto percentual no mesmo período de comparação.

Nesse grupo, foram destaques: o seguro de vida coletivo, com alta de 1,5% na sinistralidade entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014, e de 0,7% no IDC entre essas datas; acidentes pessoais individual, que teve queda de 13,1% na sinistralidade e de 2,1% no IDC; e prestamista, com alta na sinistralidade de 2,1% e queda de 0,6% no IDC. Os outros produtos de risco de tal grupo – vida individual e AP coletivo – mostraram, respectivamente, variação na sinistralidade (+7,9% e -0,1%) e no IDC (+16,4% e +0,5%).

No grupo de seguros gerais, a sinistralidade subiu de 49,9%, em jan./dez. de 2013, para 57,8%, em jan./dez. de 2014. O índice de despesas de comercialização (IDC) caiu 0,3 ponto percentual entre esses dois períodos. O principal produto do grupo – seguro de automóveis – experimentou pequena alta na sinistralidade (+1,5%) e no IDC (+0,3%). O segundo produto mais negociado – seguros patrimoniais – operou com forte alta na sinistralidade (+13,2%), porém exibiu queda no IDC (-6,6%), entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014.

No total do mercado de seguros, a sinistralidade subiu fortemente (6,4 pontos percentuais), passando de 44,0%, em jan./dez. de 2013, para 50,3%, em jan./dez. de 2014. O alto grau de competição no mercado e o temor de elevar preços num período de baixo crescimento da economia podem explicar esse resultado. O índice de despesas de comercialização se manteve no mesmo patamar (23,1%), no mesmo período de comparação.

 

 

Demais índices de desempenho das seguradoras reguladas pela Susep:

No total das seguradoras, o resultado das operações com seguro mostrou alta de 5,4% entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014. Nas suas operações com previdência, as receitas de contribuições e prêmios caíram 4,1% no mesmo período de comparação, passando de R$ 867 milhões para R$ 831 milhões. Já as rendas com taxas de gestão aumentaram 10,5%. Com isso, o resultado com previdência aumentou 5,3%, passando de R$ 4,95 bilhões, em jan./dez. de 2013, para R$ 5,21 bilhões, em jan./dez. de 2014. Tal resultado está abaixo da inflação e influenciado pelo já comentado aumento na sinistralidade.

As despesas administrativas tiveram crescimento de 12,2% entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014, portanto, acima da inflação. Contudo, o resultado financeiro e o resultado patrimonial mostraram aumentos expressivos de 70,0% e 12,0%, respectivamente, compensando os demais fatores problemáticos e fazendo com que o lucro agregado do setor tivesse aumento de 12,4% em termos nominais e, dada a inflação de 6,4% no período (IPCA), subiu 6,0%, em termos reais.

Já o patrimônio líquido médio das seguradoras, entre janeiro e dezembro de 2014, cresceu 4,4% em relação ao mesmo período de 2013. Assim, a rentabilidade do patrimônio líquido das seguradoras manteve-se elevada, passando de 22,0%, em jan./dez. de 2013, para 23,7%, em jan./dez. de 2014.

Os gráficos 1 e 2 abaixo mostram a evolução, em 12 meses em termos reais, dos resultados financeiro e patrimonial, do lucro líquido das seguradoras bem como da taxa de retorno do patrimônio líquido das mesmas. Vê-se que, no final de 2014, o acréscimo do resultado financeiro não foi suficiente para evitar pequena queda no lucro líquido e na rentabilidade do patrimônio líquido.

 

 

Gráfico 1

 

Gráfico 2

 

 

Índices de desempenho das EAPC's:

Nas EAPC, os custos de aquisição tiveram crescimento de 47,8%, e as despesas administrativas, de 4,0%, entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014. O resultado financeiro foi de R$ 81,4 milhões (alta de 65,0%), e o resultado patrimonial ficou negativo em jan./dez. de 2013 e de 2014. O lucro líquido agregado do setor foi de R$ 30,2 milhões, em jan./dez. de 2014. A rentabilidade do patrimônio líquido ficou em 4,6%, no período de jan./dez. de 2014.

 

 

Índices de desempenho das empresas de capitalização:

Os custos de aquisição das empresas de capitalização tiveram alta de 2,1%, entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014. As despesas administrativas se elevaram em 11,4% no mesmo período de comparação. O resultado financeiro subiu 91,3%, e o resultado patrimonial caiu 51,7%. O lucro agregado do setor aumentou 35,6%, bem acima dos 4,3% de expansão do faturamento. A rentabilidade do patrimônio líquido cresceu de 24,7%, em jan./dez. de 2013, para 37,6%, em jan./dez. de 2014.

 

 

 

Índice de desempenho das resseguradoras locais:

Os prêmios de resseguro das resseguradoras locais, brutos de comissões, tiveram alta de 17,6%, entre jan./dez. de 2013 e jan./dez. de 2014. A sinistralidade caiu no mesmo período de comparação, indo de 88,3% para 78,0%. Idem para o índice combinado que diminuiu de 103,1%, para 99,0%. O resultado financeiro foi excelente obtendo alta de 74,8% entre os dois anos, fato que contrasta com o resultado patrimonial que caiu 18,4%. Desse modo, o setor passou de um lucro de R$ 261 milhões em jan./dez. 2013 para um lucro de R$ 685 milhões em jan./dez. de 2014. A rentabilidade do patrimônio líquido médio anual apresentou melhora significativa, saindo de 5,5% em jan./dez. 2013 para 12,9% no mesmo período de 2014.

Os prêmios de resseguros do mercado brasileiro (auferidos pelas locais, admitidas e eventuais) cresceram 10,4% entre jan./dez. 2013 e jan./dez. 2014. Com isso, a retenção geral de prêmios no mercado de seguros diminuiu de 90,4% para 90,1%.

 

 

Provisões 

Provisões do mercado segurador regulado pela Susep

 

Em dezembro de 2014, as provisões do mercado segurador regulado pela SUSEP atingiram R$ 550,9 bilhões, com crescimento de 17,2% sobre dezembro de 2013. O destaque de alta foram as provisões de longo prazo de seguros de vida com cobertura de sobrevivência (+25,0%) e as provisões de seguros, exceto os VGs, com +16,2%. As provisões das empresas de capitalização cresceram 11,9%, e as das EAPP subiram 1,5% em relação ao mesmo mês de 2013.

 

 

Provisões das seguradoras versus poupança financeira

 

As provisões das seguradoras atingiram 10,9% do saldo da poupança financeira em dezembro de 2014, mostrando acréscimo de 1,9% sobre a mesma variável em dezembro de 2013, o que atesta a crescente importância do mercado de seguros no sistema financeiro nacional.

 

 

Ativos garantidores das seguradoras reguladas pela Susep

 

As aplicações dos ativos garantidores das provisões continuam fortemente concentradas em cotas de fundos de investimento e em títulos de renda fixa. As aplicações de curto prazo (ativo circulante) cresceram 18,5%, entre dez. 2013 e dez. 2014, e as de longo prazo (ativo não circulante), 17,5%. No primeiro caso, destacam-se o aumento nas aplicações em títulos de renda fixa de 38,0% e a alta de 17,9% das cotas de fundos de investimentos. No segundo caso, sobressaem a alta de 30,1% nas aplicações em títulos de renda fixa e a alta de 1,9% das cotas em fundos de investimentos.