Seguro auto popular


21/04/2016  

Novo produto pode chegar ao mercado com valores até 30% mais baratos

Quem tem um carrinho usado, com mais de 5 anos de idade, sabe como é difícil conseguir fazer seguro para ele. A maioria das seguradoras não aceita o risco e estes veículos acabam ficando sem nenhum tipo de proteção contra acidentes, roubos, furtos e falhas. Felizmente esta realidade começa a mudar!

Em maio de 2014, foi sancionada a Lei nº 12.977, mais conhecida como Lei do Desmonte, que regulamenta e disciplina a atividade de desmontagem de veículos automotores terrestres no Brasil. Esta lei abriu uma porta para o mercado de seguros expandir sua atuação no segmento de usados, pois ao legalizar e regulamentar os desmontes de carros, permitirá a utilização pelas oficinas credenciadas pelas seguradoras de peças certificadas provenientes dos mesmos.

A Lei do Desmanche motivou o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) a regulamentar, em 31 de março deste ano, as normas do Seguro Auto Popular, o que, na verdade, já era um desejo antigo do setor, como explica o Professor José Antonio Varanda, Coordenador do Curso de Graduação em Administração da Escola Superior Nacional de Seguros (ESNS). “A criação de um seguro popular para Automóveis que efetivamente tivesse um atrativo e um custo mais reduzido, há muito tempo vinha sendo esperada, tanto que em novembro de 2005, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), através da Circular nº 306, regulamentou e padronizou as Condições contratuais para este segmento de mercado, contudo, não houve a adesão esperada, embora diversas seguradoras tenham ofertado tal plano de seguro à época”, diz.

O que muda em relação ao seguro tradicional

Segundo a assessoria de imprensa da Susep, a principal diferença é que o novo seguro vai poder utilizar peças originais provenientes de empresas de desmontagem no reparo dos veículos, desde que não envolvam a segurança dos passageiros, como peças de freio, suspensão, cintos, etc.

O Professor Varanda complementa, lembrando que o consumidor pode ficar tranquilo com relação à qualidade das peças, uma vez que “elas terão qualidade e procedência certificadas pelo INMETRO e serão fiscalizadas pelo órgão regulador responsável pelo desmanche. Além disso, a comercialização de tais peças será permitida somente por oficinas legalizadas junto ao Detran de cada estado”, afirma.

Principais atrativos do seguro popular

A segunda principal diferença do Seguro Popular de Automóveis, em relação ao seguro tradicional, é um dos seus maiores atrativos. De acordo com a Susep, a expectativa é de que este novo produto chegue ao consumidor com um preço até 30% mais barato, uma vez que a utilização de peças novas e originais onera bastante os custos para as seguradoras em casos de sinistros parciais.

Ainda de acordo com a Susep, a cobertura principal do seguro popular deverá compreender, no mínimo, a garantia de indenização por danos causados ao veículo por colisão. No seguro auto tradicional, além dessa cobertura, existem coberturas obrigatórias para furto, incêndio e explosão. “É importante destacar, porém, que uma seguradora pode apresentar um produto de seguro auto popular com as mesmas coberturas do seguro auto tradicional. Tanto a cobertura de furto, como a cobertura para incêndio e explosão serão facultativas”, explica em nota a Superintendência.

Outro atrativo é o fato de que o seguro popular poderá ser oferecido para qualquer tipo de carro, inclusive novos, ampliando as possibilidades de escolha para o consumidor. Nesse último caso, contudo, o segurado deve ser avisado que o reparo do veículo não será feito com peças novas.

Produto popular vai aumentar presença do seguro

Um dos principais motivos pelos quais o mercado tem comemorado a possibilidade de comercializar este novo produto é a oportunidade de alcançar um público alvo latente enorme. Segundo a Susep, circulam nas vias brasileiras aproximadamente 20 milhões de automóveis com mais de 5 anos de idade e que não possuem seguro. Varanda fala em um número ainda maior, de cerca de 51 milhões de automóveis, “o que representaria uma ampliação de 3,5% no alcance do seguro”, segundo ele.

“Existe hoje no mercado uma grande parte da frota que não está segurada porque não há aceitação por parte das seguradoras. Como o custo do sinistro diminuirá com o novo produto, deverá haver também uma ampliação na política de aceitação de seguros abrangendo carros ainda mais antigos, com 10 a 15 anos de fabricação e que se encontram em bom estado de conservação. Atualmente estes veículos são recusados pelas seguradoras”, estima Varanda.

Já quer contratar?

Ainda deve demorar alguns meses para que o Seguro Popular de Automóveis comece a ser efetivamente ofertado pelas seguradoras para o consumidor final. Segundo a nova Resolução do CNSP n° 336, de 31/03/2016, o referido seguro pode ser comercializado a partir de 01/04/2016, desde que o referido Plano de Seguro e respectiva Nota Técnica Atuarial tenham sido aprovados pela Susep. “Assim, as seguradoras estão ainda criando e enviando para a autarquia seus Planos de Seguro para serem aprovados, observando as novas normas estabelecidas pelo CNSP para Seguro Auto Popular”, comenta Varanda.