Seguro no prato do brasileiro


12/11/2016  

Excesso de chuvas no Sul do país coloca em risco plantações de arroz, que podem ser protegidas pelo seguro

A primavera de 2016 não tem sido favorável para os produtores de arroz no Rio Grande do Sul. O excesso de chuvas desde o mês de outubro está causando atraso no plantio, perda de boa parte do que já deveria ser colhido este ano e com isso a expectativa é de uma safra com produtividade bem abaixo do esperado. 

De acordo com o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, os problemas climáticos, também trouxeram danos para o estabelecimento da lavoura, como a não germinação de sementes pelo excesso de chuvas, obrigando o replantio destas áreas e aumentando o custo de produção, como reconstituição de curvas de nível.

Além disso, a greve dos bancários, ocorrida em um momento de tomada de financiamentos, atrapalhou o planejamento dos arrozeiros gaúchos, travando também as renegociações. “Isto poderá agravar a comercialização da próxima safra, pois muitos produtores foram obrigados a buscar dinheiro no mercado privado, que tem um vencimento fixo sempre em abril de cada ano. O fato normalmente acaba acarretando a queda nas cotações e isso pode agravar a descapitalização dos produtores”, lamenta.

Infelizmente o problema das enchentes no estado não é novo. Na safra de 2015, as chuvas no Rio Grande do Sul, estado que produz 70% do arroz consumido no Brasil, causaram um prejuízo de quase 1,4 milhão de toneladas do grão. Então, sabendo das condições climáticas adversas na região, como os produtores rurais gaúchos podem se proteger contra grandes prejuízos? Com o seguro, é claro!

Seguro rural contra as intempéries

O Sul é a região com maior incidência de sinistros por fenômenos climáticos do país. Não raro são registrados sinistros de grandes proporções envolvendo secas, ventanias ou chuvas excessivas. Segundo Bruno Kelly, sócio da Correcta Corretora de Seguros, “o resultado prático disso é que os prêmios de seguro tendem a ser bastante elevados em determinados municípios”, comenta.

No caso, o seguro que se aplica é o Seguro Rural. Ele protege o produtor contra perdas causadas por fenômenos adversos da natureza até o limite máximo de indenização contratado. Além das atividades agrícola e pecuária, este produto cobre também o patrimônio do produtor, seus produtos, o crédito para comercialização dos mesmos e o risco de morte dos produtores.

Mas o contratante precisa estar atento ao contrato de seguro para saber em quais situações estará coberto ou não. No caso da colheita de arroz deste ano, em que alguns produtores chegaram a comentar que poderiam perder até 100% do que fora plantado, é importante saber que os contratantes não devem reaver inteiramente os valores investidos na produção.

“É comum nos seguros agrícolas usarmos como base de contratação um percentual chamado Nível de Cobertura, que usualmente gira entre 50% e 75% dependendo da cultura e do município. Isso significa dizer que o agricultor não terá 100% de seu investimento (caso seja um seguro de custeio) ou 100% da sua produção esperada (caso seja um seguro de produtividade). Isso ocorre, pois é muito raro termos uma perda de 100% de uma safra”, explica Kelly.

Como pode ser usada a indenização?

No seguro rural não há uma carência, propriamente dita, mas a cobertura só se inicia após a germinação da planta, geralmente quando ela alcança 15 cm de altura. A partir daí, seacontecer um sinistro à plantação, o segurado pode levar, em média, cerca de 30 dias para receber sua indenização do seguro rural, “podendo demorar um pouco mais caso haja necessidade de alguma informação ou documentação adicional”, segundo Kelly.

E após reaver uma parte de seu investimento, o que fazer o valor recebido? Bruno Kelly lembra que existe uma cobertura adicional chamada Cobertura de Replantio, “a qual permite ao agricultor ter uma indenização que o permitirá efetuar o replantio em caso da não germinação da planta. É importante ter em mente que essa cobertura é adicional, e, portanto, deve ser solicitada pelo agricultor, mediante o pagamento de prêmio específico”, diz.

E mais uma vez, a recomendação para o produtor que pretende investir em um seguro para proteger sua plantação, é contar com a assessoria de um corretor especializado para manter-se bem informado sobre as especificidades de cada seguro, uma vez que cultura tem suas características. “Os níveis de cobertura sofrem alteração em seus limites, dependendo da do tipo de cultura, bem como as taxas aplicadas diferem conforme o tipo de plantação e município, além de outras informações técnicas relativas ao zoneamento agrícola, método de plantio, tipo de semente, existência de irrigação artificial, etc.”, comenta Kelly.

Seguro rural para todos

Seguro rural não é só para os grandes produtores, para as grandes fazendas, que contam com maquinário moderno e alta produtividade. É também para o pequeno agricultor, que possui uma cultura familiar e não quer abrir mão de se proteger contra qualquer risco que seu trabalho possa correr. Quem garante é o especialista Bruno Kelly. “Apesar de as seguradoras, muitas vezes, estabelecerem tamanho de áreas mínimas para aceitação dos riscos, o governo, através da subvenção ao prêmio do seguro agrícola (PSR), permite o acesso do pequeno agricultor ao seguro, na medida em que determina tetos financeiros que cada produtor pode usar do PSR”, argumenta.

O PSR é desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A subvenção econômica pode ser solicitada por qualquer pessoa física ou jurídica que produza as culturas incluídas no programa, permitindo a complementação com outras subvenções concedidas por estados e municípios. Assim, o valor do seguro rural pode ser reduzido em até 70% para o pequeno produtor.

O benefício é concedido por intermédio das seguradoras contratadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A seguradora escolhida pelo produtor diminui a parcela da subvenção do valor do prêmio correspondente à apólice que o produtor contratou. De acordo com informações do MAPA, para ser beneficiado pelo PSR, o produtor rural não poderá ter nenhum registro de impedimento nos órgãos do governo federal, como dívidas com a União, suas autarquias e empresas de economia mista.