Seguros e o novo governo


13/06/2016  

As primeiras impressões e expectativas do setor em relação ao Governo Temer

Como todos percebem, o afastamento de Dilma Rousseff da presidência do Brasil no último dia 12 de maio não foi suficiente para trazer tranquilidade ao quadro político do país. Porém, na área econômica, a mudança de governo começou a produzir alguns efeitos positivos. Um deles é o clima de confiança que timidamente volta a aparecer nos mercados.

A nomeação de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, para Ministro da Fazenda, trouxe mais esperança para empresários e investidores. Meirelles assumiu a pasta com a proposta de melhorar as contas públicas como forma de proporcionar, no futuro, estabilidade na relação dívida pública/PIB e aumentar a confiança de investidores na economia brasileira.

No mercado de seguros, o prognóstico é de que as mudanças trarão benefícios para o setor. Em nota, o Presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Marcio Serôa de Araújo Coriolano, afirmou acreditar que “a entrada de um novo governo traz de volta para o empresariado a esperança e o clima de confiança de que serão feitos esforços no sentido de  equacionar os problemas que impedem a retomada do crescimento do país. Somente desta forma as empresas voltarão a investir”, disse ele, citando a importância de baixar a inflação para que a população possa retomar o seu poder de compra e, por consequência, o apetite por crédito.

Em relação ao mercado segurador, especificamente, Coriolano lembra que, com o agravamento da crise, a demanda por proteção securitária por parte da população diminuiu. “Nesse sentido, destaco a retração nos ramos patrimoniais e no de saúde suplementar, que perdeu 1,3 milhão de vidas seguradas. Agora, esperamos que as medidas a serem implementadas pelo governo do presidente em exercício, Michel Temer, revertam positivamente para o setor de seguros”, ressaltou.

Diante do novo cenário, a Confederação divulgou projeção de crescimento entre 8% a 10% da arrecadação das seguradoras em 2016 sobre 2015 e espera que o setor seja beneficiado pela regulamentação dos produtos Vida Universal e o VGBL Saúde, este último aprovado na Câmara dos Deputados no ano passado.

Ambiente regulatório

Coriolano também mencionou a importância de um ambiente regulatório favorável, com os órgãos reguladores fortalecidos e profissionalizados. No caso da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), ele defende a sua transformação em autarquia especial, frisando a importância de os dirigentes do órgão ter mandato e serem sabatinados, a exemplo do que ocorre com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “É preciso evitar que se tenha qualquer tipo de retrocesso na SUSEP, autarquia que hoje é responsável pela fiscalização de um mercado que arrecada R$ 450 bilhões anualmente e movimenta R$ 800 bilhões em ativos”, disse. Ele cobrou ainda a retomada do Conselho Nacional de Saúde e uma maior relevância ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).

ANSP

Outro representante do setor ouvido pelo Tudo Sobre Seguros nesta reportagem é Mauro César Batista, Presidente da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP). Para ele, o principal no momento é cautela. Ele acredita que a mudança no governo “já cria uma expectativa positiva, o que de certa forma traz mais entusiasmo para todos”, mas ressalta que é cedo para falar em estabilidade. “Embora seja um Governo que vai cobrir o restante de um mandato, que também é alvo de muitas dúvidas e que terá enormes desafios, o que todos esperamos é que venha a dar sua dedicação extrema aos múltiplos problemas que temos, principalmente em relação ao desemprego e juros elevados e recessão na economia”, salienta, lembrando que estes fatores influenciam diretamente o consumo de seguros.

No campo político, Batista também citou a preocupação com o futuro da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), a qual disse esperar que “venha a ser poupada de qualquer barganha política, que implique em mudar o Superintendente (um técnico), por um político”.

Índice de Confiança

Ratificando a melhoria de ânimo, o consultor Francisco Galiza, que calcula o Índice de Confiança e Expectativas do Mercado Segurador (ICSS) manifestou que “em maio o índice teve alta expressiva, mantendo trajetória de recuperação”. O ICSS é o resultado de três sub-índices: ICES (Índice de Confiança e Expectativas das Seguradoras), ICER (Índice de Confiança e Expectativas das Resseguradoras) e ICGC (Índice de Confiança das Grandes Corretoras).

No caso das seguradoras, Galiza informou que o índice respectivo (ICES) atingiu 85,9, o maior desde 2014, mas todos os outros indicadores de confiança tiveram um comportamento favorável. Porém, ressalvou que “a expectativa média do segmento ainda é de pessimismo, mas com a nova variação, os índices estão cada vez mais próximos do limite de 100 pontos – patamar que teoricamente, divide as expectativas de uma visão pessimista para uma otimista.”

No mercado, a melhora das expectativas foi mais acentuada entre as grandes corretoras: o índice de confiança desse segmento (ICGC) cresceu 45% de janeiro a maio de 2016 ao passo que o ICES avançou 29% no mesmo período.