Seguros por estados


10/10/2018  

Interessante quadro publicado pela SUSEP é o de prêmios e sinistros dos diversos ramos de seguros por estados brasileiros (unidades da federação) e ao longo dos meses.

Para entender bem os dados, vale notar que, segundo os técnicos da autarquia, as empresas devem apropriar os prêmios em seus locais de risco. Isto significa que uma seguradora com sede, por exemplo, em São Paulo que subscreve um risco (de propriedade ou vida) no Ceará deve apropriar os prêmios obtidos nesse último estado.

A seguir mostramos os quadros de evolução dos prêmios por estados em 2014 e 2107 e agrupados em ramos elementares, DPVAT, planos de risco de seguros de pessoas e planos de acumulação VGBL, VGRP, VRSA, VAGP e VRI (ver as definições destes em http://www.tudosobreseguros.org.br/informacoes-basicas-12/) .

Começando pelo grupo de ramos elementares (seguros de danos e responsabilidades) são os notáveis o seguinte:

  • A elevada concentração espacial dos prêmios. De fato, em 2017, os cinco mais importantes estados emitiram 74,8% do total de prêmios no Brasil e os cinco menos importantes, apenas 0,8%.
  • A pequena desconcentração havida de 2014 a 2017. Naquele ano, os cinco mais importantes estados emitiram 77,5% do total de prêmios no brasil e os cinco menos importantes, 0,6%.
  • Entre 2014 e 2017, as taxas de crescimento de prêmios mais elevadas ocorreram nos estados menos desenvolvidos. Em São Paulo, por exemplo, foi de apenas 2,2% (uma situação até atípica) ao passo que em Tocantins e Roraima, foram de 68,0% e 107,5%, respectivamente.

 

No DPVAT, certamente por ser um seguro obrigatório para os proprietários de veículos, a evolução dos prêmios por estados apresenta algumas diferenças importantes:

  • A concentração espacial é menor: em 2017, os cinco mais importantes estados emitiram 59,4% do total de prêmios no Brasil e os cinco menos importantes, 2,6%.
  • Entre 2014 e 2017 houve pequena diminuição na concentração. Em 2014, os cinco estados mais importantes emitiram 60% do total de prêmios no brasil e os cinco menos importantes, 2,2%.
  • Entre 2014 e 2017, as taxas de variação dos prêmios foram negativas em todos os estados (em razão da queda dos prêmios unitários definida pelo governo federal) e generalizadas.

No caso dos planos de risco de seguros de pessoas, verifica-se novamente situação parecida com a do grupo de ramos elementares:

  • Há elevada concentração espacial dos prêmios. Em 2017, os cinco mais importantes estados emitiram 76,7% do total de prêmios no Brasil e os cinco menos importantes, apenas 0,8%.
  • Houve também alguma desconcentração de 2014 a 2017. Naquele ano, os cinco mais importantes estados emitiram 77,3% do total de prêmios no brasil e os cinco menos importantes, 0,7%.
  • Entre 2014 e 2017, em temos de taxas de crescimento de prêmios, destacam-se três unidades como atípicas: Distrito Federal e Sergipe, com altas de 126% e 135,3% e Pará, com queda de 1%.

Idem para os planos de acumulação, dos quais o VGBL é de longe o mais importante:

  • Há também elevada concentração espacial dos prêmios: em 2017, os cinco mais importantes estados emitiram 74,4% do total de prêmios no Brasil e os cinco menos importantes, apenas 0,6%.
  • Houve também certa desconcentração entre 2014 e 2017. Naquele ano, os cinco mais importantes estados emitiram 77,9% do total de prêmios no brasil e os cinco menos importantes, 0,3%.
  • Entre 2014 e 2017, as taxas de crescimento de prêmios foram em geral mais robustas nos estados mais importantes da federão: com destaque para São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal com 45,3%, 52,5% e 51,9%, respectivamente.
  • Em termos de ranking de crescimento, no total, vale notar que a expansão desse grupo foi maior que a dos planos de risco de seguros de pessoas e a desse grupo, maior que a dos ramos elementares.

Finalmente, cabe notar duas coisas: primeiro, a concentração espacial no mercado de seguros brasileiro é maior que a do PIB e, portanto, da média das demais atividades econômicas. De fato, em 2015, os cinco estados mais importantes detinham 64,8% do PIB nacional e os cinco menos importantes, 1,7%. Isto se deve certamente ao fato do seguro um “bem superior”, isto é, aquele cuja proporção no consumo se eleva na medida em que a renda aumenta. Dito de outro modo, sua taxa de crescimento tende a ser mais elevada que a da renda (tanto pessoal quanto regional).

Segundo, entre 2014 e 2017, e com exceção do DPVAT, as taxas de acréscimo dos prêmios dos diversos grupos de seguros superaram em larga margem a do PIB nominal. De fato, enquanto este cresceu 13,5%, os prêmios de ramos elementares aumentaram 14%, os dos planos de risco de seguros de pessoas, 24,7% e os de planos de acumulação de tipo VGBL, 49,4%. O que mostra a força do mercado de seguros nacional.