Tragédia na costa


25/01/2012  

O naufrágio do Costa Concordia mostra que uma catástrofe pode ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar

O naufrágio do transatlântico italiano, a poucos metros da costa, poderá acarretar a maior indenização da história do seguro marítimo – cerca de um bilhão de dólares – segundo informou a agência de notícias Reuters depois de ouvir analistas e especialistas do setor. Até o momento (25/01/2012), o acidente causou quinze mortos e dezessete desaparecidos, dezenas de feridos e vultosos prejuízos materiais da empresa, passageiros e tripulação.

O navio é propriedade da Costa Cruises, uma subsidiária da anglo-americana Carnival Corporation & PLC, que opera 101 navios, sendo responsável por cerca de metade do mercado de cruzeiros internacionais com marcas como a P&O Cruises, Cunard e Princess. A Carnival tinha dois tipos de seguros para o navio: o de casco e o de responsabilidade civil do operador por danos a passageiros e tripulantes.

Segundo a Reuters, o casco foi segurado em 405 milhões de euros por um pool de várias seguradoras, incluindo XL, RSA, Allianz e Generali. O valor final vai depender de se o navio, tendo custado cerca de 570 milhões de dólares, pode ser recuperado ou se será dada “perda total”. Ainda assim, o caso vai repercutir na indústria de seguros por vários anos na medida em que as seguradoras procurem reaver algum dinheiro com os salvados, ou seja, pela venda de inúmeras peças recuperadas do navio e de itens pessoais encontrados no fundo do mar, como jóias, cuja propriedade não possa ser confirmada.

Mas as demandas de indenização por responsabilidades, lesões e outros danos poderão empurrar o custo total para as seguradoras a até um bilhão de dólares. A Carnival disse que a apólice que detém cobrirá todos os pagamentos relacionados a ferimentos e mortes de passageiros e tripulantes, perda de carga e mais o custo para limpar vazamentos de óleo no oceano e praias. De todo modo, a regulação e a liquidação do sinistro levarão meses – e nos casos de reclamações de responsabilidade civil – provavelmente, anos, como ocorre normalmente nos casos de catástrofes.

O mundo do seguro marítimo é complexo. Linhas de cruzeiros e companhias de navegação se juntam em grupos, conhecido como clubes de proteção e indenização – Protection & Indemnity Clubs, P&I – de modo a espalhar o risco individual. Cada membro do clube paga a sua parcela do prêmio e as indenizações são extraídas dos fundos coletivos.

Os primeiros 10 milhões de dólares de indenização correspondem à franquia da apólice e serão sustentados pela Carnival. Depois de pagar a franquia, os clubes Standard Club, que tem a maior parte do risco, e Steamship Mutual serão responsáveis ??pelos próximos 8 milhões de dólares em pedidos de indenizações. Os próximos 52 milhões de dólares em créditos seriam pagos por um coletivo maior, chamado International Group, que representa 13 clubes que seguram mais de 90% do transporte marítimo mundial. Depois disso, há uma apólice de resseguro firmada com grandes resseguradoras, que cobre perdas catastróficas de até 3 bilhões de dólares. A resseguradora alemã Hannover Re já anunciou que o naufrágio custará à empresa, pelo menos, 30 milhões de euros. A Hannover Re se referiu a uma conta de pelo menos 10 milhões de euros e a Munich Re, 50 milhões de euros.

Alguns analistas entendem que o sinistro do Costa Concordia já é suficiente para azedar o ano da indústria de seguros e resseguros europeus, mas outros acham que a perda não é grande o suficiente para prejudicar o capital e as reservas do setor. Estas permanecem robustas, tendo absorvido 100 bilhões de dólares em perdas derivadas de catástrofes naturais em 2011. Além disso, a praxe no seguro marítimo é espalhar o risco ao máximo, de modo que nenhuma seguradora subscreva mais de 10% do risco. Assim, o sinistro do Costa deve ser semelhante ao do derramamento de petróleo pela Deepwater Horizon, onde nenhuma seguradora tinha mais de 2% do seguro de responsabilidade e danos.

O naufrágio do transatlântico ocorreu numa data ruim – o início do período mais movimentado do ano para as reservas. As vendas agora definem o tom para o resto do ano, que pode ser negativamente afetado se os passageiros se assustarem com as imagens arrepiantes do navio atingido. Segundo reportado pelo Insurance Journal, a Carnival não fez seguro de perda de receita e já espera perder entre 85 milhões e 95 milhões de dólares em reservas que não poderá atender.

Enfim, férias em navio de cruzeiro sempre pareceu um dos meios de turismo e transporte mais seguros, mas agora, desde a tragédia do Costa Concordia, está claro que uma catástrofe pode atacar a qualquer hora e em qualquer lugar.

A Carnival anunciou que fornecerá aos passageiros do navio sinistrado restituição dos valores pagos, alojamento, transporte e valor de reposição dos bens perdidos a bordo. Nem toda empresa pode dar-se ao luxo de ser assim tão generosa. Portanto, se você vai viajar de férias, lembre-se de contratar uma boa apólice de seguro de vida e acidentes, seguro de despesas médicas, seguro de cancelamento e seguro de perda de bagagem ou, o que é melhor, uma apólice compreensiva englobando todos esses riscos.