Violência nas estradas


17/08/2015  

Número de roubos de cargas nas estradas brasileiras cresce; saiba como o seguro pode proteger o seu carregamento  

Nem as inúmeras horas de trabalho seguidas, nem a solidão da estrada deixam os motoristas de caminhão tão preocupados quanto os roubos de carga.

Um levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística revelou recentemente que o este tipo de crime teve alta de 42% nos últimos quatro anos no Brasil. Em São Paulo, dados da Secretaria de Segurança dão conta de um aumento de 2,8% no primeiro semestre de 2015, em comparação com o mesmo período de 2014. Campinas, São José do Rio Preto, Bauru e Baixada Santista são as regiões com maior incidência de roubos de carga, justamente por ser uma localidade onde há grandes depósitos e pela proximidade do Aeroporto de Viracopos.

No Rio de Janeiro, a situação é ainda pior. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, entre janeiro e junho de 2015 foram registrados 3.394 roubos a cargas em todo o estado. O número é 31,29% maior se comparado com o mesmo período do ano passado. A Rodovia Presidente Dutra, ligação entre o Rio e São Paulo, é onde concentra-se o maior número de casos.

Segundo o coordenador do curso de Administração da Escola Superior Nacional de Seguros, Professor José Antonio Varanda, “as cargas mais roubadas no Brasil são aquelas que podem ser distribuídas facilmente no varejo e onde o reconhecimento de sua origem seja difícil de ser realizado”. Como exemplos, ele cita os gêneros alimentícios, equipamentos eletroeletrônicos, medicamentos, cigarros, produtos têxteis e cargas fracionadas.

De acordo com a gerente do ramo de Transportes da Porto Seguro, Rose Matos, esta alta sinistralidade pode aumentar o valor do prêmio para este tipo de seguro. “É fato que estes números poderão refletir nos custos dos seguros. Faz parte da metodologia das seguradoras acompanhar as estatísticas relativas à sua carteira, bem como do mercado, para definir uma precificação adequada.

Ela conta que a análise e aceitação do risco são feitas de acordo com o perfil da operação, ou seja, qual o tipo de carga transportada, o trajeto que será percorrido, etc. “Cada caso é avaliado a fim de que tanto segurador, quanto segurado, não sejam prejudicados”, comenta.

Ricardo Armond, sócio-gerente da Pontonobre Consultoria e Corretora de Seguros, lembra que, com o aumento da sinistralidade, não apenas o prêmio a ser pago pelo consumidor tende a aumentar, mas podem surgir ainda outros efeitos. “Isto pode ocasionar também a exigência por medidas mais rigorosas de gerenciamento de risco, como rastreamento, monitoramento e escolta, e até mesmo a recusa por parte de algumas seguradoras em aceitar riscos que envolvam as cargas mais visadas”, afirma.

Seguro contra roubo de cargas é um opcional na apólice de Transportes

Existem duas categorias de seguro para proteger as cargas durante o transporte: a de transportes, propriamente dita, contratada pelo vendedor ou pelo comprador da carga em âmbito nacional ou internacional, e a de responsabilidade civil, contratada pelo transportador. A primeira delas, na abrangência nacional, pode ser contratada em apólices avulsas – uma para cada viagem – ou por apólice “aberta”. Esta última é utilizada quando são várias viagens, que são comunicadas uma a uma, por averbação, à apólice.

Entre as coberturas oferecidas estão danos e prejuízos causados à mercadoria durante o transporte, em caso de acidente com o veículo, provocado por colisão, capotagem, abalroamento, tombamento, incêndio ou explosão. A cobertura contra roubo, que prevê assalto à mão armada ou desaparecimento da carga (quando o veículo também é roubado), deve ser contratada adicionalmente. As coberturas são definidas de acordo com a atividade da empresa contratante, o tipo de carga a ser transportada e o percurso que será feito.

É importante lembrar que a categoria de responsabilidade civil é obrigatória para o transportador, para garantir o recebimento e entrega da carga. Ela cobre eventuais indenizações que precisem ser pagas caso a carga sofra danos, mas não cobre roubos e furtos.

Dicas para evitar roubo de cargas

As transportadoras têm investido cada vez mais no gerenciamento dos riscos do seu negócio, por meio de monitoramento e rastreamento dos veículos, equipamentos adequados à operação de transportes, iscas eletrônicas, escolta, entre outros. “Além disso, é importante manter a equipe de motoristas e outros envolvidos nas operações de transportes bem treinados para o uso dos equipamentos e orientados para as ações a serem tomadas em cada situação de emergência”, complementa Rose.

Quem também oferece orientações ao público é a Polícia Militar, que divulga em seu site algumas dicas para que os motoristas evitem ter suas cargas roubadas. Veja a lista abaixo:

1 – Não dê carona

2 – Não contrate ajudantes desconhecidos

3 – Não pare em locais desertos para prestar auxílio a mulheres, crianças ou pessoas acidentadas – chame a polícia rodoviária;

4 – Não deixe seu veículo sem vigilância, ainda que por poucos instantes, quando se ausentar para tomar banho ou alimentar-se

5 – Não revele a estranhos a natureza de sua carga, seu trajeto a percorrer e seu destino

6 – Não estacione no acostamento para dormir – procure um posto de serviço

7 – Não deixe de examinar as partes vitais de seu veículo após uma parada regular – alguém pode tentar sabotar seu caminhão

8 – Ao notar que algum veículo está seguindo seu caminhão, avise a polícia rodoviária, imediatamente

9 – Esteja muito atento nas imediações do local onde receber ou entregar a carga, pois é nessa área em que ocorre o maior número de abordagens pelos ladrões

10 – Prefira servir-se de postos de abastecimento onde tenha amigos ou conhecidos. Na dúvida, escolha aqueles situados na área urbana das cidades do percurso.