Aluguel seguro


11/08/2015  

Mercado oferece opções contra inadimplência no recebimento de aluguéis

Não é novidade para nenhum brasileiro que o ano de 2015 tem sido difícil, principalmente no que diz respeito ao desemprego. A mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dá conta de que no trimestre de março a maio deste ano a taxa de desemprego atingiu o patamar de 8,1%, índice 1,1% maior que no mesmo período de 2014.

Com uma inflação alta (a estimativa do Governo é de 9% para 2015) e a taxa básica de juros sendo elevada recentemente a 14,25% ao ano, nem mesmo aquelas pessoas que contavam com a renda de um aluguel de imóvel sentem-se seguras. Isso porque a recessão aumenta o risco de inadimplência e joga para baixo os preços dos aluguéis.

No mês de junho, uma pesquisa do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) registrou pela primeira vez, desde 2005, queda no valor dos contratos de aluguel de imóveis residenciais na capital paulista. No acumulado de 12 meses, a redução foi de 1%.

No Rio de Janeiro, a queda nos preços foi ainda maior. De acordo com Leonardo Schneider, Vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro, (Secovi-Rio), a queda nos últimos 12 meses foi de aproximadamente 8% nas Zonas Sul e Oeste.

“Essa redução nos preços dos aluguéis foi causada principalmente devido ao aumento da oferta de unidades, com o boom imobiliário verificado nos últimos anos”, explica Schneider, em entrevista exclusiva para o Tudo Sobre Seguros.

Ele acrescenta ainda que a crise financeira, o aumento do desemprego e da inflação também contribuíram para que as negociações entre proprietários e inquilinos fossem mais flexibilizadas. “A procura diminuiu. Assim, os proprietários tiveram que reduzir os preços para não ver seus imóveis vazios”, comenta.

Seguro fiança locatícia, o produto mais conhecido

Se conseguir um fiador para alugar um imóvel já era difícil antes, em tempos de crise e desemprego, a tarefa pode ser ainda mais árdua. Apesar de uma pesquisa do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), divulgada em julho, mostrar que nos últimos 12 meses, 47,5% dos contratos de aluguéis foram fechados com fiador, seguido por depósito (33,5%) e seguro-fiança (19%), este produto tem ganhado mais presença no mercado.

“Nos últimos anos o uso do seguro fiança locatícia tem aumentado, embora para o mercado os preços ainda sejam altos, girando em torno de duas vezes o preço do aluguel. O principal motivo para o aumento da demanda é o fato de que pedir para alguém ser seu fiador é um pouco constrangedor e está caindo em desuso”, diz Schneider.

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O seguro fiança locatícia nasceu como uma alternativa ao fiador, pois elimina a necessidade de o locatário ter um responsável com imóvel próprio na mesma cidade e garante que o proprietário receba aluguel e encargos vencidos caso o inquilino não honre com os pagamentos.

Para Edson Frizzarim, diretor do Porto Seguro Aluguel, um dos produtos do segmento disponíveis no mercado, “o seguro fiança é uma forma de o inquilino ter mais independência, segurança e tranquilidade, aproveitando da melhor forma o imóvel alugado”.

Nesta modalidade, tanto o inquilino quanto o proprietário têm vantagens. Para o inquilino, há a possibilidade de parcelamento do seguro e descontos em serviços diversos, como transportadoras de mudança, assistência para eletrodomésticos, instalações, pequenos reparos, chaveiro, vidraceiro e muitos outros.

Já para os proprietários há a garantia de recebimento dos aluguéis mensais e da multa moratória, pela Porto Seguro, em caso de inadimplência do locador. O seguro apresenta também a possibilidade de contratação de cobertura de danos ao imóvel, entre outros adicionais.

Capitalização: nova alternativa

Uma nova alternativa oferecida pelo mercado de seguros é a capitalização. A grande vantagem para quem contrata essa modalidade é que no final do contrato, o inquilino pode resgatar tudo o que investiu, com rendimentos.

Schneider explica como funciona o produto que, segundo ele, tem tudo para ganhar popularidade: “muitos proprietários já estão aceitando títulos de capitalização como garantia para o aluguel. Funciona assim: para alugar o imóvel, o inquilino adquire um título de capitalização, com valor entre 6 a 12 vezes o preço do aluguel, e o coloca como garantia. Se houver inadimplência, esse valor irá cobrir a prestação em atraso. Se não houver, o inquilino pode resgatar o valor integralmente ao término do contrato, e ainda se beneficiar dos rendimentos do título”.

O proprietário também deve fazer a sua parte

Para evitar ficar com o imóvel vazio ou ainda que o valor do aluguel caia, o proprietário também deve fazer a sua parte. É o que orienta o representante do Secovi Rio. “Vale a pena investir em melhorias, como instalação de móveis e eletrodomésticos e manter o imóvel sempre bem conservado. É importante também estabelecer um bom relacionamento com o inquilino, entender o momento econômico complicado e ser flexível durante as negociações de valores e reajustes”, sugere o especialista, que complementa: “não sabemos como serão os próximos meses. Tudo vai depender do movimento da economia”.