Como será o amanhã


02/01/2013  

Especialistas do mercado comentam as perspectivas para 2013

Para a Astrologia, o ano de 2013 será regido por Saturno. Para o Horóscopo Chinês, será o “Ano da Serpente”. Para quem acredita nisso, será um tempo de muito trabalho e austeridade, em que não se devem cometer excessos. Para saciar a curiosidade dos mais céticos, o Tudosobreseguros perguntou a especialistas como deve ser o próximo ano para a economia e para o mercado de seguros.

DPVAT, “Lei Seca” e IPI reduzido

No final de 2012, a chamada “Lei Seca” foi alterada, tornando-se mais rigorosa com o intuito de reduzir os alarmantes números das vítimas de acidentes de trânsito. Para Ricardo Xavier, diretor-presidente da Seguradora Líder DPVAT, a Lei tem contribuído significativamente para a redução de acidentes de trânsito, “porém, infelizmente, ainda há outras causas que aumentam a sinistralidade, como o excesso de velocidade, o desrespeito às sinalizações e, recentemente, até mesmo a utilização de celulares na direção dos veículos, para envio de mensagens e ligações, desviando a atenção dos motoristas”, alerta.

Outro fator que influenciou o DPVAT foi a redução do IPI sobre os veículos vendidos no Brasil, o que culminou com uma verdadeira corrida às concessionárias e, consequentemente, no aumento da frota nacional. “Sempre que há um aumento na frota espera-se também um aumento da acidentalidade. Isto somente não ocorre quando são adotadas medidas preventivas, o que não é o caso no nosso país”, diz Xavier.  Considerando somente as motocicletas – categoria de veículo que concentra o maior número de indenizações do Seguro DPVAT –, ele complementa: “podemos observar que houve um aumento expressivo de frota, de 357%, no período de 2000 a 2011. Em 2000 eram pouco mais de quatro milhões de motos na frota brasileira, em 2011 elas já superavam 18 milhões. Infelizmente, seguindo esta tendência, os casos de morte no trânsito brasileiro envolvendo motocicletas também tiveram um crescimento significativo: 134% no mesmo período. Portanto, fica claro que o aumento da frota de veículos gera um impacto no número de acidentes de trânsito e, consequentemente, indenizações por esta causa”, diz.

E já é esperado maior número de indenizações em 2012 relativamente a 2011. “De janeiro a setembro de 2012, o DPVAT pagou 216.150 indenizações por morte, invalidez permanente e reembolsos de despesas médico-hospitalares. O número representa um crescimento de 31% ante o mesmo período do ano anterior. Portanto, seguindo essa tendência, ao final de 2012, esperamos um acréscimo de 35% a 40% no volume de indenizações sobre 2011”, prevê.

Xavier anuncia ainda uma novidade: “para o licenciamento de 2013, contribuintes proprietários de ônibus, vans e motocicletas poderão pagar o Seguro DPVAT em três parcelas iguais. A facilidade será válida em todas as unidades federativas”, conclui.

Destaque para o seguro de pessoas

Para João Paulo Mello, Professor na Escola Nacional de Seguros e Superintendente da Classic Seguros, o maior destaque em 2013 deverá ser o seguro de pessoas. “Aqui talvez resida um dos maiores potenciais de crescimento do mercado nacional, pois ainda não conseguimos deslanchar nos microsseguros e tampouco aproveitar o momento de mobilidade social que o país vive”, diz.

Apesar de 2012 não ter sido bom para a economia, com expectativa de crescimento do PIB sobre o ano anterior em torno de 1% e a inflação transpondo 5%, para o mercado de seguros o período não foi tão ruim, de acordo com o especialista.

“Estudos da CNSeg apontam estimativa de crescimento da arrecadação do total de seguros privados em torno de 19% (real de 13%), com a participação no PIB beirando os 4%. Isto sem considerar os planos de saúde que não são administrados por seguradoras. Por ramos, os seguros de Automóveis (+14%), Patrimonial (+11%), Transportes (+10%), Riscos Financeiros (+10%), Responsabilidades (+17%) permanecem com crescimento das arrecadações na casas dos dois dígitos. Os destaques foram os ramos Habitacional (+31%), Rural (+46%) e como sempre o VGBL (+30%). O faturamento dos seguros de pessoas sem o VGBL deve ser de 13% em 2012.

“Como se vê, os números são animadores”, comenta. Lembrando também que os seguros de danos e responsabilidades continuam com boas perspectivas, motivados pela Copa do Mundo e as Olimpíadas.

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Reflexo das grandes catástrofes

Lúcio Marques, Diretor da Previsul Seguradora, também entende que o grande filão do mercado será o seguro de pessoas, particularmente, a Previdência Complementar Aberta. No entanto, ele acredita que os fracos resultados da economia deverão influenciar negativamente o crescimento do setor em 2013, principalmente, os seguros de bens. “Também é importante dizer que o mercado vai precisar usar toda a sua criatividade para buscar soluções quanto aos grandes eventos da natureza, pois as catástrofes que ocorreram em 2012 farão os preços dos seguros no mercado internacional, contratados via resseguradoras, subirem muito. Também na área de riscos pessoais os atuários deverão colocar seus conhecimentos em dia, visando a ”quarta idade”, com reformulação nos conceitos, taxas e coberturas, já que estamos tendo um aumento significativo no prolongamento da vida das pessoas, como comprovou o último censo feito pelo IBGE”, afirma.

Já para Walter Polido, da Polido e Carvalho Consultoria em Seguros e Resseguros, a sociedade brasileira continuará a demandar mais seguros de bens, desde que continue aumentando a demanda de bens duráveis. Ele lembra também que a má qualidade dos serviços públicos induz a população a buscar produtos de seguros na área privada, principalmente, na área de saúde. “A população deveria exigir a prestação de serviços adequados de saúde pelo Poder Público, pois é direito constitucional e dever do Estado. Há, ainda, um longo caminho a ser perseguido e este só será alcançado através de mais e melhor educação”, opina.

Uma área que, segundo ele, já se está desenvolvendo em decorrência da sociedade brasileira se tornar mais consciente de seus direitos é a de seguros de Responsabilidade Civil. “Os profissionais liberais, por exemplo, estão cada vez mais expostos a demandas judiciais, e os seguros de RC Profissional têm crescido acentuadamente no país, assim como os Seguros Ambientais, que certamente ocuparão lugar de destaque em curto espaço de tempo e em razão também da evolução da sociedade”, afirma.

Renovação da legislação se faz necessária

Polido diz ainda que o Brasil ainda carece de um marco regulatório eficaz para os seguros, em face de grande evolução desse segmento. “Os 45 artigos do Código Civil de 2002 que tratam do seguro não são mais suficientes para disciplinar área tão vasta de conhecimentos e situações”, reclama. “O PL 3.555/2004 estabelece normas gerais em contratos de seguro privado e revoga dispositivos do Código Civil, do Código Comercial e do Decreto-Lei nº 73. Outro PL, o de n° 8.034/2010, é um aperfeiçoamento daquela Lei. Ambos foram analisados com mais intensidade pelo Congresso Nacional em 2012 e, uma vez consolidados e aprovados, poderão regulamentar de forma adequada o contrato de seguro e a atividade seguradora. Assim o Brasil será colocado no mesmo nível de países desenvolvidos em matéria de legislação securitária e que já possuem os respectivos Códigos de Seguros apartados dos Códigos Civis ou Comerciais. Espanha, França, Alemanha, Portugal e Bélgica são alguns exemplos”, explica.

Outra questão fundamental para ele é a revisão da atuação do Estado na atividade seguradora do país. “É necessário separar da regulação da atividade seguradora a atuação técnica-contratual das seguradoras. Não pode mais ser função do Estado, por exemplo, fornecer condições contratuais obrigatórias de coberturas de seguros para a iniciativa privada. Essa função estatal pertence ao passado, ao regime de mercado fechado, de monopólio de resseguro. O cenário é outro hoje em dia. O Estado deve regular firmemente a atividade securitária em prol dos consumidores de seguros e da liquidez do sistema”, sugere.

Otimismo à frente

O Professor de Ciências Contábeis e Atuariais da Universidade Federal Fluminense, Antonio Fernando Navarro, está otimista: segundo ele, o mercado de seguros não tem o que temer de 2013. “Acho que, para o mercado, o Ano Novo entrará com o mesmo ímpeto que foi observado no começo de 2012”, prevê. “Teremos mais problemas ambientais e, devido às crises financeiras ao redor do mundo, os países e as empresas deverão rever seus custos e adequá-los aos novos horizontes”, sugere.

Ele vê ainda novas oportunidades para o ano que se inicia: “o mercado segurador deve estar atento às migrações econômico-financeiras que estão ocorrendo por todo o país, com a construção de novas cidades ao redor de grandes obras de infraestrutura. Novos polos industriais, por exemplo, representam o crescimento de regiões, muitas vezes de maneira rápida. A rapidez no atendimento às demandas do mercado é e sempre será o diferencial para os segurados”, conclui.