Conjuntura do Mercado

O mercado segurador regulado pela SUSEP arrecadou R$ 24,1 bilhões em dezembro de 2018, com variação de 12,9% sobre o mês anterior.

Embora a maioria dos ramos tenha apresentado taxas positivas de variação frente ao ocorrido em novembro, em certos casos, estas ficaram aquém do padrão sazonal típico de dezembro. Lembremos que esse é um mês de maior volume de compras em razão das festas natalinas e do recebimento do 13° salário bem como de contribuições a certos planos de acumulação que conferem incentivos fiscais, visando redução do IR na declaração de ajuste do ano seguinte.

Veja-se que a arrecadação de prêmios de seguros de ramos elementares (exceto DPVAT) cresceu em dezembro 6% sobre o mês anterior quando, na média dos 4 anos anteriores, dezembro contra novembro, o acréscimo fora de 16,5%. A assinalar que esse resultado foi fortemente influenciado pela redução atípica de 87,7% dos prêmios de seguro habitacional/apólice prestamista em razão de devolução de prêmios por parte de grande seguradora do segmento.

A arrecadação de planos de risco de coberturas de pessoas também teve evolução aquém do padrão sazonal: o crescimento em dezembro passado foi de 7,2% sobre o mês anterior, o que se compara desfavoravelmente aos 20% de acréscimo na média dos 4 nos anteriores. Novamente, assinale-se a queda de prêmios de 3,1% do seguro prestamista em dezembro, depois de meses de expansão.

Idem para os aportes a planos de acumulação: 21,1% de variação em dezembro contra novembro, mas 36,6% na média dos 4 anos anteriores. Ibidem para as contribuições a títulos de capitalização que caíram 0,3% em dezembro sobre o mês anterior quando nos anos anteriores, a média de expansão foi de 13,9%.

Esse é um sinal de alerta que, entretanto, ainda não impacta os resultados acumulados em 12 meses. Esperemos que seja apenas uma pausa momentânea na trajetória de crescimento. De fato, em todo o ano de 2018, os prêmios de seguros de ramos elementares (exceto DPVAT) cresceram 8% sobre 2017 e a arrecadação de planos de risco de coberturas de pessoas expandiu 10% nessa mesma base de comparação. Esses são percentuais claramente superiores à inflação que, de dezembro de 2017 a dezembro de 2018, ficou em apenas 3,7%. E ressaltam ante a evolução lenta da atividade econômica em 2018, cujo PIB real espera-se suba apenas 1,3%.

O inverso se pode dizer dos aportes a planos de acumulação e a títulos de capitalização: os primeiros decresceram 7,7% em 2018 sobre 2017 os últimos aumentaram apenas 1,4% nesse mesmo período, logo, queda em moeda de poder aquisitivo constante. Continua, portanto, o desempenho assimétrico do mercado segurador regulado pela SUSEP, com os produtos de risco em trajetória de crescimento e os acumulação e sorteios, de declínio.

Esses fatores, mais a redução de 21% nos prêmios do seguro obrigatório DPVAT por decisão do CNSP, explicam a arrecadação total no mercado SUSEP de R$ 245,6 bilhões em 2018, 0,7% abaixo do arrecadado em 2017, e representando estimados 3,5% do PIB.

Nas perspectivas para 2019, algumas considerações se impõem. Segundo projeções apuradas pelo Banco Central, espera-se um ambiente macroeconômico melhor em 2019, com o PIB crescendo 2,5% em 2019 e a inflação e juros estáveis em torno de 4% e 6,5%. Além disso, o novo governo parece bastante comprometido com políticas de médio e longo prazo benéficas à retomada do desenvolvimento como a reforma da previdência, investimentos em infraestrutura, revisão de normas diversas que travam muitas atividades e privatizações de empresas estatais.

Tudo isso tenderá a repercutir favoravelmente sobre o mercado de seguros. Em ramos elementares, que abrangem riscos ao patrimônio e responsabilidades, o seguro de automóveis se deve beneficiar do crescimento da economia e da expansão do crédito. Os seguros de garantia de obrigações contratuais e riscos de engenharia, das privatizações e das obras de infraestrutura. Novas realidades indicam grande potencial de crescimento dos seguros de RC, principalmente, o D&O (Directors & Officers), que protege executivos e gestores de empresas, e dos seguros de riscos cibernéticos.

No caso dos planos de acumulação de seguros de pessoas, há o desafio de se adaptarem ao patamar mais baixo das taxas de juros, o que envolverá ajustes em taxas de administração e maior flexibilidade de aplicação das carteiras. Quanto aos planos de risco de seguros de pessoas, a tendência é de manutenção do crescimento verificado em 2019, principalmente, em função do sucesso do seguro prestamista (que garante a quitação de dívida do segurado em caso de morte, invalidez ou desemprego involuntário) cujos prêmios cresceram 19,3% em 2018 ante 2017.

Em 2018, houve pouca alteração nos indicadores de desempenho das seguradoras reguladas pela SUSEP: a sinistralidade (sinistros ocorridos / prêmios ganhos) foi de 43,3% com queda absoluta de 2% frente ao mesmo período de 2017. O índice de despesas de comercialização (custos de aquisição / prêmios ganhos) foi de 24,5%, caindo 0,2% em termos absolutos frente ao mesmo período de 2017. O resultado com resseguro como percentual dos prêmios ganhos foi de -2,9% e o resultado de planos de aposentadoria como percentual das contribuições correspondentes foi de 4,4%, ambos menos negativos que os observados em 2017.

As despesas administrativas das seguradoras cresceram 6,1% ante igual período de 2017, o resultado financeiro caiu 13,9%, o resultado patrimonial aumentou 22% e o lucro líquido, 8,8%. A rentabilidade anualizada do patrimônio líquido agregado das seguradoras foi de 22,1%, 2,5% superior ao do mesmo período do ano anterior.

No mercado de resseguro, os dados oficiais das resseguradoras locais vão até outubro de 2018 e são igualmente positivos. De janeiro a outubro, os prêmios de resseguros emitidos totalizaram R$ 9.089,8 milhões, 11,1% acima do dado de igual período de 2017. A sinistralidade foi de 58,5%, inferior em 0,5% a do mesmo período de 2017. O resultado de retrocessão, como percentual dos prêmios ganhos, foi de -19,8%, menos negativo que o ocorrido no ano anterior. Esses fatores mais que compensaram a queda de 35,6% no resultado financeiro e permitiram um lucro líquido agregado de R$ 7.402 milhões no acumulado de 2018 até novembro, 4,8% superior ao de 2017.

O índice combinado das resseguradoras locais melhorou, passando de 91,7% no acumulado de janeiro a novembro de 2017 para 89,2% no mesmo período de 2018. Já o índice combinado amplo registrou pequena piora, passando de 79,2% para 81,9% nos períodos referidos acima. A rentabilidade do patrimônio líquido das resseguradoras locais foi de 19% em 2018, pouco acima do resultado de 2017.

 

Definições:

Índice combinado (IC) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ prêmios ganhos

Índice combinado amplo (ICA) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ (prêmios ganhos + resultado financeiro)

Abaixo de 100, esses índices significam ganho para as companhias e vice-versa acima de 100. Ganho “técnico” no caso do IC e ganho global no caso do ICA.