Conjuntura do Mercado

Em março de 2019, o mercado de seguros regulado pela SUSEP arrecadou em prêmios e contribuições R$ 20,7 bilhões, 5,5% acima do volume do mês anterior.

Essa é uma taxa positiva, mas cabe notar que está abaixo do padrão sazonal do mês. A taxa média de expansão da arrecadação de seguros em março sobre fevereiro nos últimos cinco anos foi de 21%.

No entanto, as comparações em 12 meses confirmam a manutenção do ritmo de crescimento do mercado, particularmente, dos prêmios de ramos de elementares (exceto DPVAT), de planos de risco de cobertura de pessoas e de aportes a planos de capitalização cujas taxas de expansão foram, respectivamente, de 7,7%, 10,6% e 2,4%.

Na comparação do primeiro trimestre de 2019 com igual período de 2018, há também boas notícias: os aportes aos planos de acumulação (VGBL e PGBL principalmente) inverteram a tendência e passaram a mostrar crescimento de 2,9%. Analogamente, as taxas de aumento da arrecadação de planos de risco de cobertura de pessoas e de planos de capitalização aceleraram para 12,8% e 8,7%, respectivamente. Em sentido oposto, os prêmios de seguros de ramos elementares desaceleraram a expansão para 6,6% relativamente à taxa em 12 meses (7,7%).

Tais resultados devem ser comemorados, mormente em razão da difícil conjuntura macroeconômica que tende a impactar negativamente todos os setores e também o mercado segurador. Lembremos que desde o início do ano, as expectativas de crescimento do PIB real em 2019 aferidas pelo Banco Central e publicadas no boletim Focus caíram de 2,6% para 1,4%.

Expectativa positiva para o mercado segurador veio do anúncio da absorção da PREVIC (reguladora dos fundos de pensão fechados) pela SUSEP bem como dos planos da nova direção dessa autarquia de implantar um modelo de supervisão baseado em mais informatização, menos regulamentação e mais agilidade na aprovação de produtos.

Desagregando-se os dados, e observando as taxas de crescimento no trimestre, chamam atenção positivamente as expansões de 11,7% dos prêmios de seguros patrimoniais, 46,8% de seguros de crédito e garantias, 22,3% de seguros de responsabilidade civil e 61,5% de seguros marítimos e aeronáuticos.

Inversamente, os prêmios de seguros de automóveis decepcionaram, mostrando queda de 1,1% no trimestre janeiro-março ante o mesmo período de 2018. É um fato a ser pesquisado, pois, segundo o IBGE, as vendas reais de veículos e peças expandiram-se em cerca de 11% no mesmo período. No grupo dos planos de risco de seguros de pessoas, continuaram notáveis as expansões da receita com seguro prestamista (+25,5% no trimestre) e vida e acidentes pessoais (+8,4%).

No acumulado do ano até março, houve forte aumento da sinistralidade (sinistros ocorridos / prêmios ganhos) das seguradoras reguladas pela SUSEP: o índice passou de 43,8% em 2018 para 50,9% em 2019, impactado pelos resultados em seguros de responsabilidade civil, crédito e garantias e marítimo/aeronáutico. Entretanto, isso foi compensado pela melhora no resultado com resseguro que, no mesmo período, passou de -3,8% dos prêmios ganhos para +3,9%, evidenciando-se aí a função do resseguro de proteção da rentabilidade das seguradoras.

No acumulado do ano até março de 2019, as despesas administrativas das seguradoras cresceram 8,9% ante igual período de 2018, o resultado financeiro subiu 20,7%, o resultado patrimonial, 20,4% e o lucro líquido, 20,5%. A rentabilidade anualizada do patrimônio líquido agregado das seguradoras foi de 24,8%, 4,4% superior a do mesmo período do ano anterior.

No mercado de resseguro, a Susep divulgou os dados das resseguradoras locais até fevereiro de 2019 e estes são igualmente positivos. No primeiro bimestre, os prêmios de resseguros emitidos totalizaram R$ 1.821 milhões, 20,9% acima de igual período de 2018. Acompanhando o ocorrido com as seguradoras, a sinistralidade das resseguradoras aumentou fortemente, de 49,1% no primeiro bimestre de 2018 para 83,5% no mesmo período de 2019. A melhora no resultado de retrocessão contribuiu para minorar tal efeito: como percentual dos prêmios ganhos, subiu de -29,4% para -2,7%. As despesas administrativas cresceram 14,6% e o resultado financeiro, 13,2%.

O índice combinado das resseguradoras locais piorou, passando de 90,3% no acumulado de 2018 para 97,8% no mesmo período de 2019. Idem para o índice combinado amplo que subiu de 81,3% para 88,9% nos mesmos períodos. Sendo valores inferiores a 100, indicam entretanto ganhos técnico e geral para essas empresas.

O lucro líquido agregado das resseguradoras locais foi de R$ 8.058 milhões nos meses de janeiro e fevereiro de 2019, 14,8% superior ao de igual período de 2018 e a rentabilidade do patrimônio líquido caiu de 15,3% para 13,4%.

Quanto ao setor de saúde suplementar, aguarda-se a divulgação dos dados do primeiro trimestre de 2019 pela ANS. No quarto trimestre de 2018, a receita de contraprestações atingiu R$ 195,6 bilhões, 9,1% superior a do mesmo período de 2018. A sinistralidade foi de 83,2%, 1,5% acima do quarto trimestre de 2017. O número de beneficiários de seguros e planos de saúde em dezembro de 2018 era de 71,4 milhões de pessoas, 2,6% acima do verificado em dezembro de 2017.

 

 

 

Definições:

Índice combinado (IC) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ prêmios ganhos

Índice combinado amplo (ICA) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ (prêmios ganhos + resultado financeiro)

Abaixo de 100, esses índices significam ganho para as companhias e vice-versa acima de 100. Ganho “técnico” no caso do IC e ganho global no caso do ICA.