Conjuntura do Mercado

O mercado segurador regulado pela SUSEP arrecadou R$ 20,6 bilhões em janeiro de 2019, com queda de 14,3% sobre o mês anterior e alta de 0,6% nos 12 meses findos em janeiro passado ante o mesmo período precedente.

Tal queda de 14,3% não deve preocupar, pois foi inferior ao padrão sazonal típico do mês. Como o inverso ocorreu em dezembro passado, pode-se dizer que uma variação compensou a outra e, desse modo, em geral, o mercado se manteve em expansão.

A arrecadação de prêmios de seguros de ramos elementares (exceto DPVAT) cresceu 4,8% nos 12 meses findos em janeiro sobre igual período precedente. Os dois ramos mais importantes – automóveis e patrimonial – tiveram, nessas bases, taxas de expansão de 4,7% e 9,9%, respectivamente. Todos os demais ramos mantiveram ritmos de expansão muito positivos, com exceção de seguros marítimos e aeronáuticos (0,8%) e seguro habitacional (-2,5%).

A arrecadação de planos de risco de coberturas de pessoas cresceu 10,5% em 12 meses findos em janeiro sobre igual período precedente com vida com excelente evolução do seguro prestamista (+19,8%) e dos seguros de vida e acidentes pessoais (+8,6%) nessas bases de comparação.

Inflexão interessante ocorreu em janeiro com os aportes a títulos de capitalização que cresceram 6,1% sobre dezembro e 1,2% nos 12 meses findos em janeiro sobre igual período anterior.

Os aportes aos planos de acumulação continuaram com evolução problemática (queda de 5% nos 12 meses findos em janeiro sobre igual período anterior), mas deve-se notar que o ritmo de contração tem diminuído de modo que se pode, razoavelmente, esperar à frente o retorno ao crescimento nos aportes a esses produtos.

Por ora, em termos de arrecadação, continua o desempenho assimétrico do mercado, com os produtos de risco de seguros de danos, responsabilidades e pessoas em trajetória ascendente e os produtos de acumulação, em declínio.

Vale notar que a evolução positiva da venda de seguros em janeiro, na série ajustada sazonalmente, contrasta com a fraca evolução da economia em geral. De fato, no ano de 2018, estima-se (com base no IBC-Br, do Banco Central) que o PIB real tenha aumentado apenas 1,1% e, em janeiro passado, na série com ajuste sazonal, estima-se que o PIB real tenha recuado 0,41% sobre dezembro.

Em janeiro de 2019, a sinistralidade (sinistros ocorridos/prêmios ganhos) foi de 50,8% com elevação absoluta de 7% frente a janeiro de 2018. O índice de despesas de comercialização (custos de aquisição / prêmios ganhos) foi de 25%, com alta de 0,5% em termos absolutos frente ao mesmo mês de 2018. As despesas administrativas das seguradoras cresceram 14,3%, o resultado financeiro se elevou em 28,6% e o lucro líquido, 7,1%. A rentabilidade anualizada do patrimônio líquido agregado das seguradoras foi de 24% em janeiro passado, 0,9% superior a do mesmo período do ano anterior.

No mercado de resseguro, os dados oficiais vão até dezembro de 2018 e são igualmente positivos. Indicam que foram cedidos a resseguradoras locais, admitidas e eventuais, no acumulado de 2018, R$ 12.005 bilhões em prêmios de resseguro, 8,4% acima de 2017 e correspondendo a 10,7% dos prêmios de seguros emitidos (exceto VGBL) em 2018.

Quanto às resseguradoras locais, os prêmios de resseguros emitidos em 2018 totalizaram R$ 9.990,2 milhões, 12,5% acima do dado de 2017. A sinistralidade foi de 59,6%, inferior em 0,9% a de 2017, e o resultado com retrocessão aumentou 2,6% nessa mesma base de comparação. As despesas administrarias caíram 7,8% em 2018 sobre 2017.

Esses fatores permitiram às resseguradoras locais obter um lucro líquido agregado de R$ 7.449 milhões no ano passado, 6,8% superior ao de 2017 e uma rentabilidade do patrimônio líquido de 20,5%, acima do resultado de 2017.

O índice combinado das resseguradoras locais melhorou, caindo para 88,5% em 2018. Já o índice combinado amplo, em função do fraco resultado financeiro, registrou piora, subindo para 88,5%.

 

Definições:

Índice combinado (IC) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ prêmios ganhos

Índice combinado amplo (ICA) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ (prêmios ganhos + resultado financeiro)

Abaixo de 100, esses índices significam ganho para as companhias e vice-versa acima de 100. Ganho “técnico” no caso do IC e ganho global no caso do ICA.