Conjuntura do Mercado

Em abril de 2019, o mercado de seguros regulado pela SUSEP arrecadou em prêmios e contribuições R$ 21,5 bilhões, 3,9% acima do volume do mês anterior, excelente resultado para o mês em questão. No primeiro quadrimestre de 2019, entretanto, o mercado ainda mostra um decréscimo de 7,8% em relação ao mesmo período de 2018.

Numa perspectiva mais longa, os dados de abril confirmam a manutenção da trajetória de crescimento dos produtos de ramos elementares e de coberturas de risco de seguros de pessoas bem como início de recuperação de capitalização e, possivelmente, de planos de acumulação.

Nos 12 meses findos em abril sobre o mesmo período do ano anterior, os prêmios do grupo de seguros de ramos de elementares aumentaram 7,3% e os prêmios de coberturas de risco de seguros de pessoas cresceram 11%. As exceções notáveis, com queda ou crescimento do faturamento abaixo da inflação, foram os ramos de seguro de automóvel (+2,5%), habitacional (-3,2%), planos de acumulação (-14,8%), capitalização (+2,3%) e DPVAT (-34,3%).

O caso do seguro de automóveis chama atenção: desde meados de 2018, verifica-se menor dinamismo desse ramo frente aos demais seguros de ramos elementares (exceto DPVAT) de modo que a arrecadação desses últimos já supera a daqueles. O seguro auto tem como desafios vencer os efeitos negativos da recessão, da sinistralidade devido a roubos e furtos bem como da concorrência desleal das associações de proteção veicular. A incorporação de tecnologias de venda digital, embora favorável ao seu desenvolvimento a médio e longo prazo, impacta crescentemente os corretores de seguros.

Sobre os balanços das seguradoras reguladas pela SUSEP, no acumulado do ano até abril, houve aumento da sinistralidade (sinistros ocorridos / prêmios ganhos), que passou de 44,6% em 2018 para 50,2% em 2019. Entretanto, isso foi compensado pela melhora no resultado com resseguro, que passou de -3,3% dos prêmios ganhos para +3,4%, pelo resultado financeiro, que subiu 20,7%, e pelo resultado patrimonial, com alta de 20,4%.

O lucro líquido das seguradoras cresceu assim 17,2% no quadrimestre e a rentabilidade anualizada do patrimônio líquido médio agregado foi de 25,1%, 5% superior a do mesmo período do ano anterior.

No mercado de resseguro, a SUSEP divulgou os dados das resseguradoras locais até março de 2019. No primeiro trimestre, os prêmios de resseguros emitidos por essas empresas totalizaram R$ 2.818 milhões, 31,5% acima de igual período de 2018. A sinistralidade aumentou fortemente, de 41,3% no primeiro trimestre de 2018 para 76,3% no mesmo período de 2019. A melhora no resultado de retrocessão contribuiu para minorar tal efeito: como percentual dos prêmios ganhos, subiu de -37,4% para -3,9%. Idem para o resultado financeiro, com alta de 47,5%.

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O índice combinado das resseguradoras locais aumentou de 90,1% no acumulado de 2018 para 91,4% no mesmo período de 2019. O índice combinado amplo, que inclui o resultado financeiro, pouco variou, passando de 81,7% para 81,6% nos mesmos períodos. O lucro líquido agregado das resseguradoras locais foi de R$ 409,8 milhões nos meses de janeiro a março de 2019, 35,2% superior ao de igual período de 2018 e a rentabilidade do patrimônio líquido subiu de 17,1% para 21,1%. Excelentes resultados para as resseguradoras locais.

Quanto ao setor de saúde suplementar, aguarda-se a divulgação dos dados do primeiro trimestre de 2019 pela ANS. No quarto trimestre de 2018, a receita de contraprestações atingiu R$ 195,6 bilhões, 9,1% superior a do mesmo período de 2018. A sinistralidade foi de 83,2%, 1,5% acima do quarto trimestre de 2017. O número de beneficiários de seguros e planos de saúde em dezembro de 2018 era de 71,4 milhões de pessoas, 2,6% acima do verificado em dezembro de 2017.

 

 

 

Definições:

Índice combinado (IC) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ prêmios ganhos

Índice combinado amplo (ICA) = (sinistros ocorridos + custos de aquisição + resultado com retrocessão + despesa com tributos + despesas administrativas) ÷ (prêmios ganhos + resultado financeiro)

Abaixo de 100, esses índices significam ganho para as companhias e vice-versa acima de 100. Ganho “técnico” no caso do IC e ganho global no caso do ICA.