Crise na saúde


19/01/2016  

Recessão tem causado fuga de clientes dos planos de saúde. Saiba como manter o seu

Não é de hoje que a saúde no Brasil parece estar doente, mas em 2015 a situação pareceu piorar ainda mais. Nos últimos dias do ano, a saúde pública no Rio de Janeiro entrou em verdadeiro colapso, com o fechamento temporário  de diversos hospitais públicos de referência, devido a falta de itens básicos para o atendimento aos pacientes, como remédios, insumos e profissionais.

Na verdade, a crise econômica potencializou o problema da saúde pública, que já é antigo. Com despesas extravagantes e dívidas cada vez mais altas, os governos não repassam de maneira suficiente as verbas necessárias para o adequado atendimento para a população.

Na esfera particular, a situação atual de dificuldades também tem apresentado reflexos. O que acontece, agora, é que até mesmo as operadoras de planos saúde privados, que tem a maior parte de seus beneficiários oriundos dos planos empresariais, começam a enfrentar dificuldades.

Com a recessão, o que se tem verificado é que muitas empresas começaram a reduzir o número de funcionários e a qualidade dos benefícios oferecidos a seus colaboradores, em tentativas de driblar as dificuldades financeiras.

Os problemas na saúde pública deveriam, na realidade, provocar uma maior procura pelos planos de saúde suplementar. No entanto, segundo dados da ANS, talvez em decorrência da crise, o ingresso de novos beneficiários, que em 2005 tinha taxa de crescimento de 4,9% e chegou a 6,4% em 2008, começou a diminuir já em 2014, até atingir uma taxa negativa (-0,3%) em 2015”, analisa o Corretor de Seguros e Sócio da Budget Consultoria, Henrique Berardinelli.

Ele complementa enumerando outros possíveis fatores para o resultado negativo: “dentre os fatores que podem ter levado a essa situação, com certeza estão a queda no poder aquisitivo da população e também a inflação dos custos médicos”.

De acordo com Berardinelli, algumas das estratégias utilizadas pelas empresas de saúde complementar para enfrentar esses tempos difíceis são reduzir custos operacionais, principalmente trabalhando para inibir fraudes (responsáveis, com certeza, por mais de 20% dos custos médicos) e também para estabelecer acordos com sua rede de prestadores. Desta forma tentam fazer com que seus custos possam ser absorvidos pelos beneficiários dos planos”, diz.

O que fazer para não perder seu plano

Apesar dos problemas financeiros que algumas empresas possam estar enfrentando, há atualmente no mercado cerca de 850 operadoras de planos no Brasil, apresentando uma grande variação na qualidade do atendimento e na rede de prestadores.

Certamente, as empresas maiores têm melhor capacidade de absorver eventuais perdas econômicas e manter a qualidade dos serviços prestados, mas nem sempre o beneficiário tem condições financeiras para arcar com os custos de um plano privado após perder o emprego ou depois dos reajustes efetuados pelas operadoras.

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Como as internações hospitalares, clínicas ou cirúrgicas são o grande risco para os indivíduos que, de uma maneira geral, podem arcar com os custos de uma consulta médica ou de um exame simples, Berardinelli recomenda que este seja o foco para quem está com dificuldades de custear um plano de saúde.

“Se a pessoa não tem condições de pagar um plano completo (hospitalar e ambulatorial), a melhor opção é contratar apenas um plano hospitalar que custa, em linhas gerais, a metade de um plano completo. Outra opção é procurar operadoras de segunda linha que oferecem planos mais baratos, embora com redes e atendimentos mais restritos”, ressalta.

Outro conselho importante para quem está empregado é se dedicar ainda mais às suas tarefas diárias no trabalho para diminuir o risco de perder o emprego e com isso perder também a cobertura de saúde.

Novas regras para os planos de saúde em 2016

Segundo divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no dia 15 de janeiro, as operadoras de planos de saúde passam a ter que seguir novas regras de atendimento a partir do dia 15 de maio. Entre as medidas, definidas pela Resolução Normativa 395, está a previsão de uma multa em casos de descumprimento da norma, que varia de R$ 30 mil a R$ 100 mil.

Uma das principais mudanças é a implantação, por parte das operadoras, de unidade de atendimento presencial, em horário comercial durante os dias úteis nas capitais ou regiões de maior atuação dos planos. Ficam isentas as operadoras de pequeno porte, as exclusivamente odontológicas, as filantrópicas e as de autogestão.

As empresas de grande porte também terão que oferecer atendimento telefônico durante 24 horas, sete dias por semana, enquanto as de médio e pequeno porte, as exclusivamente odontológicas e as filantrópicas deverão ter canal telefônico para atendimento em horário comercial nos dias úteis.

Além disso, as operadoras, quando demandadas, devem prestar imediatamente informações e orientações sobre o procedimento ou serviço assistencial solicitado, esclarecendo se há cobertura prevista no rol da ANS ou no contrato.