Fusões e aquisições no mercado de seguros


16/07/2018  

Segundo o site www.segs.com.br, com base em dados da ANBIMA, o número de fusões e aquisições (em inglês, M&A) no Brasil cresceu 3,6% em 2017 sobre 2016 no Brasil, totalizando 143 operações e movimentando R8,4 bilhões. Já a PricewaterhouseCoopers (PWC) estima que tenha havido 643 transações, 8% acima de 2016, mas apenas 216 com valores divulgados e somando USD 48,9 bilhões. O setor de informática (TI) foi o mais presente com 21% do total transacionado, conforme a PWC.

A verdade é que, devido ao aspecto estratégico envolvido e por que em certos casos as transações ocorrem entre empresas fechadas, é difícil precisar a quantidade e os valores das M&A. Porém, sabemos que essas operações têm aumentado nos últimos anos, inclusive, no mercado de seguros.  E, segundo os especialistas, a atividade continuou crescendo no primeiro semestre de 2018.

A tal ponto que o mercado oferta hoje um seguro de M&A que indeniza perdas financeiras resultantes de infração, tanto por compradores quanto por vendedores, às garantias pactuadas no contrato de aquisição. Aplica-se a transações de até US$ 1 bilhão e tem vigência pelo período das garantias previsto no contrato de aquisição.

Quem quer que acompanhe o mercado de seguros brasileiro pode perceber três realidades no que concerne a fusões e aquisições: primeiro, a busca de foco (especialização) de certas seguradoras ao venderem a outras seguradoras carteiras que entendem estar fora de seu negócio principal (“core business”). Segundo, a busca de sinergias mutuamente proveitosas, evidentes nas parcerias feitas entre seguradoras diferentes. Terceiro, certa preferência, de algumas grandes seguradoras de focar em seguros massificados e de seguradoras de capital estrangeiro de focar em seguros de grandes riscos.

Vantagens

O crescimento da empresa que adquire outra ou das empresas que se fundem é o principal objetivo dessas transações. São oportunidades para expandir a presença em determinado mercado de seguros ou em ramos de rápido crescimento.

A aquisição de carteiras de seguros de concorrentes também pode ser uma maneira interessante de adicionar novos clientes e aumentar o volume total de negócios. Além disso, a seguradora pode aproveitar a infraestrutura existente em linhas de negócios recém-adquiridas o que permite margens maiores de lucro.

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Entretanto, nada garante o sucesso de uma dada operação. Desvantagens ocorrem, por exemplo, se a oportunidade e o preço da operação não são bem avaliados, se é superestimada a sinergia obtida numa fusão, se o processo de “due diligence”, isto é, o conhecimento exato e detalhado do que se está comprando, é falho etc. Nesses casos, a operação não aumenta a lucratividade da empresa e, portanto, não cria valor para os acionistas.

Para o mercado de seguros como um todo, o balanço das M&A costuma ser benéfico, mesmo em um momento de crise econômica. Os brasileiros, em geral, têm déficit de seguros. Estudo do Lloyd’s de Londres estimou para o Brasil um déficit em ramos elementares e saúde (“non life”) da ordem de 0,5% do PIB ou R$ 33 bilhões em 2017. O mesmo ocorre no ramo vida.  Isto significa que o mercado brasileiro de seguros tem potencial de forte crescimento.

Além disso, a especialização das seguradoras brasileiras é menor que suas congêneres nos mais mercados maduros. E a fase recessiva atual certamente impactou para baixo os preços de algumas seguradoras e carteiras de seguros, abrindo boas oportunidades de aquisições e fusões.

Para o consumidor, desde que não gerem monopólios, as fusões e aquisições são também vantajosas: permitem a oferta de coberturas mais amplas e a preços mais ajustados aos respectivos riscos, ou seja, precisamente o que o mercado de seguros brasileiro (e, na verdade, qualquer mercado segurador) necessita.