Mudanças no clima


05/01/2016  

Desafios e oportunidades que o “El Niño” traz para o mercado de seguros  

El Niño, ou “O menino”, em espanhol, será um dos nomes que aparecerão com frequência nos noticiários mundiais em 2016. Ele é a denominação de um fenômeno climático que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), representa o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que por sua vez provoca alterações nos padrões de umidade (com mudanças na distribuição das chuvas), temperatura e ventos em todo o planeta.

O Brasil não é exceção. Em algumas cidades brasileiras, os moradores já vivenciaram experiências nada agradáveis nos últimos dias de 2015 e primeiros de 2016, por causa do tal “menino”. No Rio de Janeiro, por exemplo, a sensação térmica chegou a ultrapassar os 50 graus Celsius. Já na Região Sul do País, de acordo com o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometerologia de Santa Catarina (EPAGRI/CIRAM), o ano poderá ser de recordes nos índices de precipitação (chuvas) com ventanias.

O prognóstico começou a ser confirmado ainda no segundo semestre de 2015. Segundo Leandro Poli, diretor de Seguros Patrimoniais da Yasuda Marítima, houve nesse ano aumento sensível no número de sinistros relacionados a eventos climáticos e cobertos pela apólice de Seguro Residencial, sobretudo na Região Sul e durante o mês de outubro. “Vale acrescentar que já registramos e acompanhamos situações que são bons exemplos de como é importante contratar um Seguro Residencial”, ele lembra.

A Yasuda Marítima teve cerca de 140 sinistros decorrentes da chuva de granizo (inclusive foi decretado estado de calamidade), ocorrida em 17 de outubro de 2014 em Campo Largo (PR). “Devido à proporção desse evento, a gerência local montou um esquema de contingenciamento para viabilizar um atendimento rápido e efetivo na região. Os contatos com segurados foram feitos em no máximo 5 dias, o que gerou um feedback muito positivo para o atendimento prestado”, comenta.

Aquele foi um evento climático que teve proporções econômicas e sociais bastante relevantes. Em cerca de 20 minutos, o dia virou noite e choveu granizo o bastante para danificar 3.600 casas, diversas escolas e prédios públicos, além dos veículos pelas ruas. À época, a Prefeitura estimou um prejuízo de R$ 12 milhões com relação aos estragos causados no Centro Administrativo e na frota municipal. No comércio e na indústria, esse número é incalculável.

A incidência de vendavais também tem crescido em intensidade e frequência. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Desastres Naturais do ano de 2013, os vendavais atingiram cerca de 2% dos municípios brasileiros e afetaram a vida de aproximadamente 124 mil pessoas, das quais 4,5 mil ficaram desabrigadas e 6,5 mil desalojadas. Apesar do índice de municípios atingidos parecer baixo, os prejuízos que podem causar para as pessoas e para a economia local podem ser imensos.

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“Vale observar que os vendavais, normalmente, acontecem em decorrência de uma tempestade e por isso podem estar acompanhados de chuvas intensas, tempestades de raios e até de queda de granizo”, diz Poli. Os dados oficiais de 2013 do Ministério da Integração Nacional, que são os mais recentes, refletem a realidade do risco de incidência de vendavais. Nesse ano, 62,5% das ocorrências de vendaval aconteceram na Região Sul e 21,9% na Região Sudeste. Em seguida estiveram empatadas as regiões Norte e Nordeste, com 6,3% e a Região Centro Oeste com 3,1%.

“A cobertura contra vendavais é opcional no Seguro Residencial, mas nas regiões de maior incidência, observamos dois aspectos. O primeiro é que muitos segurados já sentem a necessidade de incluir tal cobertura em suas apólices. O segundo aspecto é que os nossos parceiros corretores de seguros, cientes dos aspectos relacionados ao seguro de seus clientes, sempre recomendam a contratação da cobertura adicional. Até porque, em termos de valores, a contratação dessa cobertura não altera substancialmente o preço da apólice. Alguns corretores a utilizam, inclusive, como argumento de venda. A região em que há mais contratação da cobertura adicional para ventania é a Região Sul”, revela.

Exclusões

Poli lembra que o Seguro Residencial, como tantos outros, possui exclusões, e é fundamental estar atento a elas na hora de contratar esta proteção. Além das exclusões já previstas nas Condições Gerais do Seguro Residencial, a cobertura contra Vendaval, Furacão, Ciclone, Tornado, Impacto de Veículos Terrestres, Queda de Aeronave, Granizo e Fumaça (o nome técnico desta cobertura) não abrange ocorrências relacionadas ao ingresso ou infiltração d’água no prédio segurado pelo entupimento ou rompimento de calhas e tubulações, bem como através de janelas, basculantes, portas, vidraça e aberturas, querem estejam abertas ou não durante a ocorrência de risco coberto.

“É importante observar que essa cobertura opcional cobre até o Limite Máximo de Indenização estabelecido nas Condições Particulares da apólice, inclusive, para os bens ao ar livre, devidamente instalados na residência segurada especificada na apólice, por vendaval, furacão, ciclone, tornado, chuva de granizo e fumaça. Estão cobertos também os danos materiais sofridos pelas árvores, os arbustos, as plantas e gramados no local segurado. Outro ponto interessante é que essa cobertura garante a indenização por perdas e danos materiais caso aconteça algo com obras de arte de propriedade do Segurado. Mas é importante que elas estejam especificadas na apólice e que os danos tenham ocorrido dentro da residência segurada”, observa o executivo.

O que fazer em caso de sinistro?

Leandro Poli fixa que a primeira coisa que o segurado deve fazer é acionar a seguradora e efetuar a abertura do sinistro. Para isso, é importante lembrar de colocar o cartão da seguradora ou apólice sempre em lugar de fácil acesso e memorização, para não ter que ficar procurando o telefone da seguradora na hora em que precisar entrar em contato com ela. “No caso da Yasuda Marítima, esse contato pode ser por telefone ou via site www.yasudamaritima.com.br. A partir desta comunicação, um técnico da seguradora efetua uma vistoria no local do sinistro para apurar os prejuízos. Em seguida, a seguradora providencia os reparos necessários (colocação de telhas, reparos gerais etc.). Caso seja