Novo Normal?


19/02/2013  

Quando se fala em mercados e economia, pontos de vista diferentes e frequentemente divergentes são a norma e não a exceção. Um exemplo é a perspectiva de 2013 para os mercados de seguros em todo o mundo.

Para Richard Ward, CEO de Lloyd’s de Londres, há um “novo normal” no mercado: “trata-se de um ambiente onde o crescimento é fraco e os resultados financeiros são baixos. Além disso, temos a persistente crise da zona euro e os níveis mais elevados de vigilância regulatória.”

Ward afirma ainda que tal ambiente de negócios não vai mudar no curto e médio prazo, “quando as previsões de crescimento estão sendo revistas para baixo em todo o mundo”. Quanto aos impactos desse ambiente sobre o setor de seguros, ele enfatiza principalmente os efeitos sobre resultados financeiros e ganhos na subscrição: “os subscritores [underwriters] não podem mais confiar que as rendas de investimentos financeiros irão esconder os erros de subscrição, de modo que se pode esperar aumento real na disciplina em toda a indústria no que se refere ao processo de underwriting” para assegurar rentabilidade global às seguradoras.

No entanto, apesar de achar que o curto e o médio prazo tem perspectiva econômica difícil, ele entende que “a imagem de mais longo prazo é encorajadora”, com mercados de seguros muito longe da saturação: nesse horizonte de tempo, “prevê-se que o PIB aumente tanto nos mercados desenvolvidos quanto nos emergentes, mas o equilíbrio está mudando. O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2030, os mercados emergentes representarão cerca de 70% do crescimento do PIB global. Essa é uma grande oportunidade para as seguradoras, se temos certeza de que fornecemos as habilidades de gestão de risco e produtos relevantes que nossos clientes precisam”, finaliza ele.

No entanto, o economista-chefe da Swiss Re, Kurt Karl, visualiza um cenário otimista mesmo no curto prazo: segundo ele, a política monetária dos EUA vai continuar a apoiar o crescimento em 2013 e 2014 e “a taxa de desemprego deverá cair abaixo de 6,5% no próximo ano, de modo que o FED (banco central norte-americano) pode elevar as taxas de juros tão logo entremos em meados de 2014. Apesar disto, quaisquer aumentos das taxas tendem a ser moderados e assim o juro permanecerá em níveis historicamente baixos em 2015.” Com o “precipício fiscal” evitado nos Estados Unidos e um razoável crescimento dos dispêndios de habitação e de consumo, “o nosso cenário básico é de que a recuperação estará em andamento e o PIB real [norte-americano] crescerá próximo de 2,5% em 2013.”

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Ele acrescenta: “na Europa, a volatilidade do euro diminuiu e os spreads na Itália e na Espanha se reduziram a níveis administráveis. [A estratégia de combate à crise do euro] ainda tem risco de implementação considerável, mas as coisas estão mais calmas agora e talvez muito estáveis na questão do crescimento, que deverá ser perto de zero em 2013. Na China, todos os indicadores estão apontando para uma aceleração modesta no crescimento este ano, que irá impulsionar os mercados de commodities e o crescimento global.”

Já os panelistas do Property/Casualty Insurance Joint Industry Forum, realizado em Nova York em janeiro de 2013, embora acreditando que o setor possa recuperar a rentabilidade em 2012, acrescentam outro fator de grande preocupação: o aumento da frequência e da gravidade dos eventos climáticos. Segundo eles, o furacão Sandy trouxe à luz a questão principal com que a indústria está tentando lidar: “o que é o novo normal?” Os panelistas parecem concordar que, “no que se refere às catástrofes naturais, nas últimas décadas, a sinistralidade continua a aumentar”, e “nós não tivemos ainda a [catástrofe] Big One”.

Os panelistas também concordaram que as seguradoras precisam intensificar os esforços para educar os consumidores a respeito do seguro residencial e do seguro de inundações: “antes do Sandy, muitos consumidores e proprietários de negócios na costa norte oriental dos EUA não tinham percebido que a apólice de seguro residencial não cobria danos de inundação causados por furacão”. É um problema antigo e aconteceu também depois do furacão Katrina. De fato, a cobertura contra alagamento e inundação no âmbito do seguro residencial costuma excluir da garantia inundação ou alagamento causado direta ou indiretamente por ressaca, maremoto, vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo, entre outros.

Além dos juros, da economia e dos eventos climáticos, o mercado externo está preocupado com o excesso de regulação estatal. Exemplo disso é a Insurance Europe – federação que congrega 34 associações nacionais de seguradoras e resseguradoras da Europa – que em seu website saudou pesquisa recente da The Geneva Association – uma das mais importantes instituições de pesquisa em seguros do mundo – mostrando “claramente que o potencial de risco sistêmico no mercado de seguros é significativamente menor que no sector bancário”. Isso ocorre até mesmo com as maiores seguradoras que “são pequenas em comparação com os maiores bancos” e reforça a afirmação de que “o processo em andamento para identificar e tratar os riscos sistêmicos no mercado de seguros de modo muito semelhante à abordagem utilizada no setor bancário, claramente, não é adequado, dadas as diferenças fundamentais entre os dois setores”, completa a Insurance Europe.