Perigo no ar


17/01/2014  

Recentemente, segundo a imprensa, um raio caiu sobre uma casa em Japeri, na Baixada Fluminense, provocando imediato incêndio. Em poucos minutos, o fogo consumiu todo o imóvel. Felizmente, não havia ninguém na residência. Sorte idêntica não teve uma turista que estava à beira da Praia da Enseada, em Guarujá, e foi atingida em cheio por um raio durante tempestade na região. Apesar das tentativas de reanimação e de ser levada a uma Unidade de Pronto Atendimento, ela não resistiu e morreu.

Infelizmente, as descargas atmosféricas são risco natural frequentemente esquecido no Brasil. Isto apesar do país ser, conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, campeão mundial de raios: por ano, são cerca de 60 milhões de descargas, causando média de 100 vítimas fatais, mais de 200 feridos por ano e prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão. Pelo menos uma em cada 50 mortes causadas por descargas elétricas no planeta acontece no Brasil. Outro país fortemente afetado são os Estados Unidos. De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), entre 2001-2012, em média, 35 pessoas morreram por ano lá ao serem atingidas por relâmpagos.

Os prejuízos materiais causados pelas descargas atmosféricas são variados: incêndios em florestas e edificações, explosões em locais de concentração de materiais combustíveis, destruição de linhas de transmissão de energia elétrica e cortes de energia com as consequentes perdas em horas de trabalho e equipamentos eletrônicos. As pessoas atingidas por raios podem sofrer danos neurológicos, perda de memória, mudança de personalidade e problemas emocionais. O calor intenso pode destruir sapatos e roupas.

A garantia contra danos causados por raio (incêndio, por exemplo) é tradicional no mercado de seguros e integra a cobertura básica do seguro patrimonial (de residências, condomínios e empresas). Algumas apólices incluem proteção contra picos de energia, resultado direto de um raio atingindo uma casa ou empresa. Com a explosão no número e valor dos produtos eletrônicos de consumo em residências – como TVs de tela plana, computadores, sistemas de jogos e outros dispositivos caros – é mais importante do que nunca tomar precauções. A garantia básica cobre apenas os danos resultantes de descargas ocorridas dentro do terreno da edificação segurada. Para se precaver de danos causados à edificação ou a seu conteúdo por queda de raio fora do respectivo terreno, o segurado deve contratar coberturas adicionais, por exemplo, a de danos elétricos que garante indenização por perdas causadas a fios, enrolamentos, chaves, circuitos, conduites, materiais de acabamento e aparelhos elétricos em decorrência do calor gerado por acidentes elétricos, inclusive, decorrentes de queda de raio fora do terreno do imóvel segurado. Outro ponto importante é que, para o seguro ser acionado e validado, deve haver vestígio material inequívoco da ocorrência, caracterizando o local do impacto e o curso da descarga elétrica. Por isso, é importante ao segurado, num eventual sinistro, abrir um registro de ocorrência policial e obter um laudo de ocorrência do Corpo de Bombeiros ou da Defesa Civil.

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As apólices multirriscos de automóveis, transporte de cargas e riscos de engenharia também costumam oferecer garantia contra prejuízos causados por raios. Idem, no caso do seguro habitacional, onde a apólice DFI (Danos Físicos ao Imóvel) contém a mesma cobertura. Há, entretanto, que notar a exclusão de cobertura no caso do seguro de garantia estendida. De fato, junto com roubo, perda, incêndio, impactos etc, o relâmpago é considerada evento de causa externa ao produto e, como tal, não acionável para efeito desse seguro.

Ter seguro contra queda de raio é importante, mas a prevenção não deve ser descartada. Para proteger residências e empresas considere o seguinte:

  • Instalar um sistema de proteção contra raios. Isto vai além de um simples para-raios. Tal sistema fornece um caminho especifico para a descarga, de modo que o poder destrutivo do raio é dirigido com segurança para o solo, deixando intactos a estrutura e seu conteúdo. O sistema inclui para-raios ou terminais aéreos na parte superior da edificação, fios para transportar a corrente e aterramento adequado na parte inferior da casa.
  • Usar protetores contra picos de energia. Os atuais equipamentos eletrônicos são muito sensíveis a relâmpagos. Para garantir alto grau de proteção, os protetores devem ser instalados nos quadros de força, nas linhas de telefone, de TV a cabo, satélite, etc, enfim, nas linhas que podem servir como meios de condução dos raios e serem aterrados. Tenha em mente que apenas os filtros de linha sem aterramento oferecem pouca proteção contra picos de energia elétrica.
  • Desligar, nas tempestades, os equipamentos eletrônicos mais caros como TVs, computadores e assim por diante.

O que fazer e não fazer para o seu cuidado pessoal numa tempestade:

  • Abrigue-se dentro de uma casa ou edifício de preferência protegido com um sistema contra raios. Veículos cobertos são abrigos seguros, também.
  • Alguns locais são extremamente perigosos durante uma tempestade. Evite lagos, praias, mar aberto, pesca em barco, uso de equipamentos agrícolas, motocicletas ou bicicletas. Abrigue-se em túneis ou metrô, mas nunca debaixo de uma árvore!
  • Para evitar descargas laterais (tensão vinda de um objeto próximo atingido pelo raio), fique longe de cercas, árvores isoladas, postes, linhas de energia, oleodutos ou outros objetos eletricamente condutivos.
  • Não use o telefone! Em sua casa, não fique perto de janelas abertas ou tubulação de metal. Evite o contato com aparelhos eléctricos, tais como rádios, torradeiras, secadores de cabelo etc.