Previdência e mercado de ações


03/09/2015  

Saiba como controlar os rendimentos do seu plano  

A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) divulgou recentemente dados que mostram um aumento de 28,4% das contribuições em planos de previdência complementar aberta no primeiro semestre de 2015, em comparação com o mesmo período de 2014. De janeiro a junho, o valor aportado pelos consumidores cresceu de R$ 36,09 bilhões para R$ 46,35 bilhões.

Segundo o presidente da entidade, Osvaldo do Nascimento, este bom resultado é reflexo da busca do investidor por mais segurança e transparência no aporte de suas economias com foco no longo prazo. Mas você sabe onde o seu plano de previdência aplica seus recursos? E se aplicar no mercadão de ações, que é sabidamente arriscado, será que ainda é válido manter este investimento?

Instabilidade da Bolsa

Desde o pico de 2008 para cá, o índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo – o Ibovespa – caiu 27%. Blue ships como Petrobras e Vale perderam ainda mais valor, 80% e 72%, respectivamente. Os bancos, entretanto, tiveram bom desempenho: as ações do Itaú e do Bradesco subiram cerca de 20% nesse mesmo período.

Em entrevista exclusiva para o Tudo Sobre Seguros, Raphael Figueredo, Analista da Clear Corretora de Valores, diz que o consumidor de planos de previdência que estiver em dúvida sobre a rentabilidade ou segurança do produto, deve procurar a instituição administradora do mesmo. “Antes de mais nada é preciso conhecer o estatuto deste plano. Todos eles têm regras de gestão próprias. Alguns investem obrigatoriamente 90% dos recursos em renda fixa e 10% em renda variável, outros são mais agressivos e aplicam outras porcentagens. Existem também mecanismos de proteção a esses fundos em caso de queda nas ações onde eles estão aplicados. Tudo isso pode ser esclarecido pela empresa administradora. É um direito do consumidor obter essas informações”, afirma.

Portabilidade para quem não pode esperar

Maurício Viot, Professor da UERJ, IBMEC e Escola Superior Nacional de Seguros, explica, também com exclusividade para o Tudo Sobre Seguros, que “como a bolsa de valores vem apresentando performances negativas, isso vem afetando o desempenho dos planos que têm renda variável, porém no longo prazo estas perdas normalmente são recuperadas”.

Ele oferece ainda uma opção para o consumidor que não queira ou não possa aguardar o cenário econômico brasileiro se estabilizar e que prefira investir em um plano de previdência mais conservador, onde os fundos não são aportados em ações: “ele pode utilizar o Instituto da Portabilidade, que é o direito garantido aos participantes de, durante o período de vigência e observadas determinadas regras, movimentar os recursos para outros planos, da mesma ou de outra instituição de previdência complementar aberta, sem nenhum custo. Normalmente os prazos para portabilidade são a cada seis meses”, orienta.

Como opção de plano mais conservador, ele destaca o PGBL/VGBL Soberano, onde a carteira de investimentos é composta unicamente por títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil e créditos securitizados do Tesouro Nacional. Para os investidores moderados, há o PGBL/VGBL Renda Fixa, cuja carteira de investimentos do FIE é composta por títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil, por créditos securitizados do Tesouro Nacional e por investimentos de renda fixa.

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Já para os investidores mais agressivos, há o PGBL/VGBL Composto. Neste tipo de plano, a carteira de investimentos do FIE admite aportes em renda variável de, no máximo, 49% do seu patrimônio líquido, sendo admissível o estabelecimento de percentual mínimo de aplicação em renda.

Blue ships

Com uma crise tão forte abatendo-se sobre a economia, muita gente deve se perguntar se as blue ships brasileiras ainda podem ser consideradas ações com grandes possibilidades de ganhos.

A Petrobras, por exemplo, teve um prejuízo em 2014 de R$ 21,6 bilhões. Apesar disso, no mesmo período, a empresa registrou crescimento de 5% na produção de gás natural, bateu recorde de produção na área do pré-sal e teve 2% de alta na produção total de derivados, em comparação com 2013.

“Nos últimos 12 meses, as ações da Petrobras desvalorizaram 45,8%, mas em 2015, elas subiram 4,69%. Essa discrepância deve-se muito ao atraso na entrega do balanço da estatal, no início do ano, o que provocou o que chamamos de ‘efeito manada’, quando os acionistas adotam uma conduta em conjunto. No caso, foi o de venda dos papéis da empresa”, lembra Figueredo, que afirma que hoje eles estão praticamente estáveis.

Quanto a Vale, apesar da agência de risco Moody’s ter recentemente mantido a empresa em perspectiva negativa, reflexo da deterioração nos mercado de metais e minério de ferro, a mineradora está passando por fase de grande expansão com investimentos substanciais bem como detém forte posição competitiva como a maior de minério de ferro e níquel do mundo.