Quando a terra treme


11/09/2016  

Até no Brasil existe seguro contra terremotos

No último dia 24 de agosto, o mundo ficou chocado com mais uma demonstração da força da Natureza. Um terremoto de magnitude 6,2 na Escala Richter, ocorrido na região central da Itália, matou mais de 200 pessoas e deixou mais de 4,5 mil desabrigados. 

Segundo especialistas, desde o ano 2000, a Itália sofreu com 12 terremotos de grande intensidade. A frequente incidência deste fenômeno no local é devido ao grande atrito entre as placas tectônicas da África e da Eurásia. Além disso, o Mar Tirreno, no oeste da Itália, entre o continente e as ilhas da Sardenha e Córsega, estaria se abrindo cerca de 2 cm por ano, o que contribuiria para as movimentações da crosta terrestre.

Nos países onde os terremotos são frequentes, o mercado de seguros deve estar sempre preparado para acontecimentos desta natureza. Segundo o Sócio da Correcta Seguros, Bruno Kelly, quando se fala em terremotos, a referência internacional é o Japão.  “Lá, as seguradoras se protegem adquirindo cobertura de resseguro, por região, e com base nessa proteção disponibilizam essa cobertura para seus segurados. Isso não quer dizer que todos os segurados comprem efetivamente, essa cobertura, pois como o risco é elevado, os prêmios de seguros também são. Apenas as empresas maiores possuem seguro, e ainda assim, com valores de franquias bastante elevados. Do ponto de vista desses segurados, para dimensionar o valor da cobertura de terremotos, devem ser observados não apenas os prejuízos materiais de reconstrução ou reaparelhamento dos locais, mas também a necessidade de eventuais demolições e limpeza dos escombros para fins de reconstrução”, explica.

Ele conta ainda que, a rigor, os seguros de terremotos são do tipo all risks, ou seja, cobrem todos os riscos, restando apenas as exclusões de praxe como má- fé, etc., o que se torna inócuo no caso de um terremoto.

O maior prejuízo e o ‘Grande Terremoto’

Considerando os valores de prejuízos, o terremoto mais destrutivo na história ocorreu no Japão, em 17 de janeiro de 1995. Naquela ocasião, a cidade de Hanshin sofreu um abalo que durou somente 20 segundos, mas que resultou em prejuízos de 100 bilhões de dólares e 6.500 mortos. “Se formos considerar apenas a magnitude da Escala Richter, o pior terremoto aconteceu no Chile, mais especificamente na cidade de Valdívia, em 22 de maio de 1960. Esse caso ficou conhecido na história como o ‘Grande Terremoto’, pois teve a maior intensidade já registrada, 9,5 graus na escala Richter (essa escala varia de 0 a 10), esse fenômeno gerou um grande tsunami que atingiu o litoral da América do Sul, ilhas do Havaí a 10 quilômetros de distâncias”, lembra Kelly.

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Terremotos no Brasil

No Brasil, os terremotos são coisa rara. O fenômeno é causado por falhas geológicas, vulcanismos e, principalmente, pela pressão no encontro de diferentes placas tectônicas. O Brasil está localizado no centro da placa tectônica da América do Sul, daí sua baixa vulnerabilidade a esse risco. Apesar disso, já houve vários casos de terremotos no país.

O maior tremor de terra do qual se tem registro aconteceu no Mato Grosso, em 1955, e atingiu 6,6 graus na Escala Richter. Felizmente, a região era pouco habitada na época e não houve mortes nem grandes danos materiais. Já em 1986, um tremor de terra no Rio Grande do Norte, no município de João Câmara, causou a destruição de 4 mil imóveis e deixou a lição de que, apesar de raros, os terremotos não são impossíveis de acontecer em solo brasileiro.

Não existe aqui um seguro específico para terremotos, mas, mesmo com a baixa procura, existe revisão de coberturas adicionais para este risco nos seguros compreensivos residenciais, condominiais e empresariais. “Entre os diversos tipos de seguros existentes com cobertura para as perdas decorrentes de um terremoto (seja automática ou adicional), podemos citar alguns seguros de propriedade, lucros cessantes, interrupção de negócios e transporte. Apesar disso, cabe uma explicação: excetuando-se os seguros de transportes, os demais ramos cobrem terremotos apenas mediante a cobrança de prêmios adicionais. Dada a baixíssima procura por esse risco em nosso país, por causa do baixo risco, são pouquíssimas as seguradoras que ofertam essa garantia por aqui”, comenta Kelly.