Riscos do “fim do mundo”


12/12/2012  

Especulações à parte é certo que nosso planeta corre riscos o tempo todo

Segundo o “calendário Maia”, falta pouco tempo para o “fim do mundo”. E parece que há gente realmente acreditando que possam acontecer catástrofes nesse período que eliminem a vida de nosso planeta. Outros preferem pensar de maneira mais positiva: 2012 seria o fim do mundo atual e o começo de um mundo novo, com mudanças para melhor no comportamento da humanidade, novas tecnologias etc.

Deixando crenças e superstições de lado, o fato é que a Terra está realmente exposta a perigos que vem do espaço como foi retratado no filme “apocalíptico” 2012, de Roland Emmerich. São as tempestades solares, ou flares.

O sol, estrela com mais de 1,4 milhão de quilômetros de diâmetro, é uma enorme e quase inesgotável fonte de energia. Dentro dele, hidrogênio e hélio geram cargas elétricas e reações termonucleares que escapam de sua atmosfera, mais ou menos como o vapor em uma panela de pressão. Essas descargas afetam diretamente a Terra, conforme explica o Analista do IRB-Brasil Re, Osvaldo Haruo Nakiri, em seu artigo “Tsunami Eletromagnético”, publicado na edição nº 140 da Revista Cadernos de Seguro (http://tinyurl.com/avohy73).

E o que pode acontecer no caso de uma tempestade realmente grande, sem precedentes? Redes de transporte paradas, queda nas telecomunicações e no abastecimento de energia. Você conseguiria trabalhar um dia sem internet, telefone ou, simplesmente, sem luz? Poucas horas de queda do Google em 26 de novembro geraram um mar de reclamações na Web. E se a duração desses efeitos se estender por muitos dias? Nem de brincadeira. Os prejuízos são incalculáveis!

O mercado de seguros seria particularmente afetado. Numa análise superficial, podem-se contar os seguintes ramos como os mais expostos: seguros patrimoniais, riscos financeiros, seguros de saúde e vida, multirriscos empresariais e resseguros. Segundo Nakiri, “eventualmente poderão ocorrer sinistros que merecerão ser analisados sob a ótica de astrônomo, físico ou geólogo, pela sua complexidade”, diz. Ele complementa: “Perdas e danos podem assumir proporções catastróficas, semelhantes àquelas causadas por tornados e tsunamis e assim deverão ser tratados em termos de clausulado, franquias e exclusões, sob pena de os prejuízos estarem acima do poder de indenização, principalmente do mercado brasileiro”.

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A primeira dessas explosões de energia que chegam a nosso planeta como poderosas ondas eletromagnéticas foi registrada em 1859, nos EUA, quando linhas telegráficas entraram em curto-circuito, causando vários incêndios. Em 1994 e 2000, alguns satélites – os primeiros a serem atingidos por essas tempestades – sofreram avarias e causaram perturbações nas telecomunicações do Canadá e Estados Unidos. Em março deste ano nosso planeta voltou a sentir os impactos da força do Sol: a pior tempestade solar nos últimos cinco anos colocou redes de energia, companhias aéreas e sistemas de navegação via satélite em alerta em todo o mundo.

Embora se fale muito da maior exposição dos países nas imediações do Polo Norte, nós aqui no hemisfério Sul podemos sofrer os mesmos problemas. Nakiri explica: “existe o que se chama de Anomalia Magnética do Atlântico Sul, uma depressão no campo magnético da Terra que, de alguma forma, torna esse espaço mais vulnerável ao que vem do espaço”. O Brasil está um pouco distante do Atlântico Sul, mas isso não quer dizer que estejamos totalmente a salvo.

Para ele, “uma grande tempestade solar como a que ocorreu em 1859, em um mundo tão dependente da eletrônica e de satélites como é hoje, causaria o caos, com perdas em torno de 2 a 3 trilhões de dólares. Seria quase como voltar ao tempo da Terra sem eletricidade. Se só atingisse alguns satélites, dependendo do seu uso, ficaríamos sem parte das telecomunicações, e então transações eletrônicas seriam impossíveis. A indústria petrolífera, por exemplo, seria gravemente afetada, pois algumas plataformas são estacionadas via satélite, com uso do GPS. Sem capacidade de mantê-las imóveis no mar, os danos poderiam ser enormes para o setor”, alerta.