Vidas protegidas em alto mar


30/03/2012  

Como é o seguro de vida para trabalhadores que ganham a vida embarcados

O mercado de óleo e gás brasileiro está crescendo a passos largos, sobretudo pelo pré-sal, que promete aquecer ainda mais a economia nos próximos anos. Só a Petrobras encomendou recentemente a construção de nada menos que 33 sondas para operar no país. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, em entrevista para a revista especializada Portos e Navios, há menos de dez anos, eram 6 mil empregados neste setor. “Em 2015 teremos de ter pelo menos 100 mil trabalhadores nesta indústria”, diz Mendonça.

O setor de seguros deve também preparar-se para as oportunidades que virão a reboque, como o aumento da demanda de seguro de vida em grupo para os funcionários de navios e plataformas que trabalham em regime de embarque, conhecido como offshore.

A origem desta ideia de proteção é antiga. Há relatos de que a vida dos escravos transportados por mar era segurada sob forma coletiva, que garantia ao proprietário o pagamento de uma determinada quantia caso algum deles morresse durante a viagem. Os tempos mudaram e os segurados de hoje são assalariados e colaboradores de empresas submetidas a rigorosas leis trabalhistas, que exigem cuidados especiais com a segurança daqueles que ganham a vida em alto mar.

Mas o que diferencia um seguro de vida em grupo comum de um voltado para este tipo de profissional? Segundo William Araújo Silva, diretor da Life Strong Assessoria e Corretora de Seguros “a maior diferença entre eles está no fato de os trabalhadores offshore permanecerem vários dias confinados no mar, o que representa sempre um risco agravado perante as companhias seguradoras”.

A principal motivação para a contratação deste produto de Vida em Grupo por parte das empresas é a obediência às normas coletivas das categorias dos trabalhadores embarcados. “Antes de contratar o seguro, as seguradoras analisam a atividade fim da contratante, elaborando uma proposta de seguro adequado ao risco”, conta.

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Mas não apenas as seguradoras têm que ficar atentas na hora de aceitar um risco. De acordo com o corretor, a empresa contratante deverá sempre informar, no momento da elaboração da proposta de seguro, quais funcionários irão atuar como embarcados, os não embarcados e os afastados, a fim de que a seguradora possa ser coerente no resultado da proposta.

Uma área em expansão

O seguro de vida em grupo para trabalhadores offshore é uma área em expansão. Até pouco tempo a experiência do mercado não era propriamente um estímulo para que as seguradoras investissem neste produto, mas o grande número de plataformas e navios que já começaram a operar na costa brasileira e que começarão a operar nos próximos anos já é por si só um grande estímulo para que os seguradores comecem a mudar sua visão sobre esse campo.

“Hoje em dia, com a chegada de muitas empresas multinacionais no Brasil, a demanda para esse tipo de seguro aumentou, exigindo assim uma atenção maior das seguradoras neste aspecto. Atualmente o mercado segurador já ampliou a sua oferta em razão da necessidade”, comenta William.

Mas ainda há muito o que explorar nesta área. São muitas as empresas que já operam diretamente na exploração de petróleo, muitas ainda estão se estabelecendo no mercado, e há ainda as terceirizadas, que darão apoio a essas operações. “Com o aumento das ofertas de emprego nessas frentes, o crescimento da carteira do seguro em questão torna-se uma consequência inevitável”, prevê.